Quando digo que São Paulo não é para qualquer um, acredite, não é em tom pejorativo ou preconceituoso. Assim como toda metrópole, a cidade tem vida própria e consegue extrair o melhor e o pior de cada pessoa. O lugar é imenso e possui o tom da dualidade: ao mesmo tempo em que encanta e seduz, ele expulsa e afasta. Tem o peso e a importância de tudo que é imenso. Então, se o que você precisa é se perder para se encontrar, São Paulo é o que você procura.

Primeiro de tudo, não fale Sampa. Só quem é de fora chama São Paulo de Sampa e o apelido não é visto com bons olhos por aqui. Segundo, sim, temos um dialeto próprio e isso inclui o mano, o véi, a padoca, o busão e a breja. Não, não falamos o “meeeeeeeu”, só o pessoal da Mooca.

Como típica paulistana, sou filha de nordestinos. Tanto a família do meu pai, pernambucana, quanto a da minha mãe, potiguar e cearense, vieram para a cidade em busca de novas oportunidades e fixaram raízes por aqui desde então. E, você pode acreditar em mim, essa descendência é parte fundamental para compreender a cidade. Para todos os lados que estiver por aqui vai encontrar sotaques, cores e sabores de todos os cantos do Nordeste e do Norte do país. Os traços italianos e japoneses estão presentes também, claro!

Quem pretende visitar ou se mudar para São Paulo deve saber que o Centro e a Periferia trazem experiências completamente diferentes para quem vive a cidade, cultural e socialmente. As duas partes têm lados positivos e negativos, mesmo que alguns insistam em ver apenas um desses adjetivos para cada lado. Hoje, estou comprometida a romper com isso, então, vamos a uma experiência turística completa e enriquecedora das minhas duas partes de SP.

Vamos começar pelo começo: passear por São Paulo no Centrão

Avenida Paulista. Foto : José Cordeiro / SPTuris

Não seria exagero dizer que esse é o lugar do tudão. Dentro do centro da cidade você vai encontrar tudo que imaginar e a verdade é que uma simples caminhada despretensiosa, de coração aberto, pode apresentar uma região inundada de ricas histórias fundamentais para o desenvolvimento do Brasil.

Dentro de um passeio rápido, podemos fazer compras na 25 de março, no Brás e nas ruas José Paulino e Santa Efigênia. Em poucos minutos em qualquer um dos destinos, será fácil visitar o Mercadão Municipal, o Farol Santander, o Centro Cultural Banco do Brasil, a Galeria do Rock e a Galeria Olido, o Pátio do Colégio e o Solar da Marquesa de Santos, a Catedral da Sé, o bairro da Liberdade, a Estação da Luz, a Pinacoteca, o Museu do Futebol ou o Estádio do Pacaembu.

A região da Avenida Paulista e do Parque do Ibirapuera merecem uma atenção especial. Os prédios comerciais dividem espaço com a fervesão cultural e a diversidade. Nela temos o MASP, a Casa das Rosas, o Centro Moreira Salles, o Itaú Cultural e a Japan House. E, saindo do cultural e entrando no espaço da curtição: a Augusta e a Praça Roosevelt podem proporcionar desde a balada mais eclética até aquele papo despretensioso com o litrão barato.

Vai para lá e agora vai mais um pouquinho: a perifa de São Paulo 

Imagem: Jardim Letícia, Zona Sul – SP / DiCampana Foto Coletivo

O que melhor define a periferia de São Paulo é: LONGE! Os extremos da cidade são distantes da maioria das atrações turísticas principais e centros comerciais da cidade. A dificuldade na disponibilidade de transporte e a grande massa populacional construíram o imaginário de distanciamento cultural e turístico para essas regiões.

Porém, contrariando o que se pretende, as periferias paulistanas são inundadas de pontos incríveis para se conhecer. Como boa cria da Zona Leste de São Paulo, vou focar apenas nas atrações da área e vocês terão uma noção do quanto é perdido por negligenciar seu potencial.

O bairro da Mooca é um dos mais tradicionais da cidade. Além das construções industriais e das cantinas, permitem a visita ao Museu da Imigração, o Parque Taquari, a Casa do Vinil e ao Estádio do Atlético Juventus. Nos meses juninos, a Festa de San Genaro traz toda variedade de comidas italianas.

Em Itaquera, o estádio do Corinthians, o complexo cultural do Sesc Itaquera e o Parque do Carmo concentram shows, festivais e atividades físicas ao livre, ótimos para os dias de verão. No metrô, acontece a tradicional Batalha da Leste, reunido MCs para disputas de freestyle aos sábados de tarde.

O CERET, Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador, também é um boa opção para realizar atividades ao ar livre na Zona Leste, mais especificamente no Anália Franco. Ali perto, a Praça Sílvio Romero é o local para reunir os amigos, fazer os bons drinks e passar o sábado de noite. O bairro do Tatuapé é conhecido pela vida noturna e boêmia, formando ruas e ruas de barzinhos lotados.

Para quem tem dúvidas sobre a riqueza das periferias de São Paulo, o grupo Prato Firmeza desenvolveu um guia gastronômico que reúne restaurantes que estão nos extremos da cidade, com informações e avaliações sobre os pratos servidos em cada um dos estabelecimentos. O objetivo do projeto é descentralizar o olhar da cidade, mostrando para quem quer passear por São Paulo todas as oportunidades do lugar.

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