Não me lembro bem quando descobri que “ir por aí” era a melhor coisa que eu poderia fazer por mim. Não sei se foi aos cinco anos, quando eu viajava grudada na janela vendo tudo passar rápido do lado de fora; se aos 12, com meu walkman sintonizado na rádio que pegava no caminho.

Tem chance também de ter sido aos 21 quando fui pra São Paulo (de avião) pela primeira vez, com meu próprio dinheiro e ainda segurei na mão da moça sentada do meu lado de tanto medo daquela história de voar.

Fato é: hoje tenho 33 anos e amo viajar.

Enquanto escrevo esse primeiro texto, planejo mais uma viagem: vou para a praia. Aquela mesma que bota medo em quem é gorda. Mas não é disso que quero falar agora.

A coisa, para mim, é criar formas para me colocar em movimento. Para perto ou para longe. Com muito ou pouco dinheiro, sempre tem caminhos para todos os bolsos. Ainda acho que viajar é um privilégio, mas também é preciso reconhecer que viajar não é só ir passar um mês na Europa ou Noronhando-se. Viajar pode ser ali, do lado da sua cidade, no centrinho que você nunca teve a curiosidade/possibilidade de desbravar.

O que mais aprendi com esses quilômetros rodados é que, além de viajar ter me salvado nos momentos mais difíceis, independentemente do destino, meu corpo gordo sempre estará comigo.

Às vezes ele será olhado, julgado

Mas também será ele a minha principal casa e o que me botará em movimento. Viajando aprendi a respeitar mais os meus limites e a testá-los. Me conheci.

Aprendi que está tudo bem brigar com a mala porque acho que não tenho uma roupa legal o suficiente pra levar para tal lugar, só não posso deixar de ir por isso. Também está tudo bem levar quase meia hora para subir aquela escada de 520 degraus, só não vale achar que o cansaço vai ser maior do que o prazer daquela vista lá de cima. E se for, tudo bem também ficar um dia no meio da trip de pernas pra cima, descansando, curtindo a caminha do hostel/hotel/albergue/acampamento/resort. Só não vale não ir.

E nada de passar vontade de aventura ou de comida no passeio. A gente precisa experimentar, se permitir, querer, comer, pular e, de novo, ir.

Durante meus planejamentos já me questionei se eu seria ou não capaz de ir. E sei que o medo de não conseguir já me deixou em casa muitas vezes e deixa muita gente. Mas por quê? Não sei. Só sei que faremos desse espaço um lugar de troca de experiências, vivências, dicas e tudo que couber nessa mala. Nos colocaremos em movimento. Sonharemos juntas. Viajaremos juntas.

Então, calça o tênis, aperta o cinto, e pé na mala (ou na jaca).

Vamos juntas.

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