Deixar o país pela primeira vez é muito impactante. Cultura diferente, amizades novas, experiências únicas. A cada passo, uma novidade para abalar o tédio do cotidiano. Se a viagem é longa, como um intercâmbio, é melhor ainda. Uma infinidade de coisas para descobrir em um curto período de tempo. A liberdade de estar longe de casa assusta, mas é transformadora. No intercâmbio, você pode aprender muito sobre as pessoas, o mundo e sobre você mesma. O problema é o período de tristeza pós-intercâmbio.

Desânimo, comparações eternas, passeios pelas lembranças criadas e o desejo fervoroso de ir embora de novo. Sintomas de saudade da boa experiência. Esse momento de tristeza pós-intercâmbio aconteceu comigo mais de uma vez. É um sentimento engraçado que te deixa feliz por estar de volta, revendo família e amigos, mas te instiga a procurar o próximo destino. Quando você poderá ter momentos inesquecíveis como aqueles de novo?

Quando voltei ao Brasil depois do meu primeiro intercâmbio nos Estados Unidos, tive dificuldades para voltar à rotina. Fiquei três meses trabalhando em um acampamento na época do inverno, que era bem calmo e rendia muitos dias de folga e tempo livre para aproveitar o país. Foi a minha primeira experiência internacional longa. Antes, tinha apenas viajado para alguns lugares e feito passeios turísticos típicos.

Depois de ter dito um gostinho da vida real em outro país, foi difícil não pensar nos meus próximos planos de viagem. Mas não é todo mundo que tem condições de pegar o próximo avião para o exterior e o tempo de espera pode ser de meses até anos. Como, então, se reerguer no Brasil e voltar a rotina normal neste meio tempo? É sobre isso que vamos falar. Confira!

Não compare

Cada país tem a sua história e suas particularidades. Se onde você foi, tudo é praticamente perfeito e funciona bem, ótimo! Você teve uma chance única de experimentar uma vida diferente. Mas, lembre-se que o Brasil também é único. Há muitas coisas boas por aqui que não podem ser encontradas em outro lugar. Não é com comparações que alguma coisa vai mudar. Aceite que há culturas diferentes, não melhores ou piores.

Por que não se concentrar em não perder os novos hábitos adquiridos com a experiência? Assim, de certa forma, você contribui de forma positiva para o desenvolvimento do país.

Mantenha contato com amigxs

Não deixe as amizades novas morrerem. Mesmo com a distância, mande uma mensagem de vez em quando. Não espere retorno de todos, mas tente. Já escrevi e recebi cartas de amigos da América Latina que fiz no intercâmbio. Visitei um amigo no Japão. Até hoje continuo conversando com amigos internacionais por Whatsapp e FacebookA tecnologia está aí para facilitar a nossa vida. Aproveite!

Viva o presente

Sou a mestre de deixar meu pensamento flutuar para viagens passadas e possibilidades futuras. É normal. Mas, às vezes, me esqueço de que a próxima viagem/intercâmbio só dará certo se eu me concentrar no presente. Valorize seus amigos, sua família, seus animais de estimação, seu trabalho, seus estudos, e a fase da vida em que você se encontra como um todo.

Guarde com carinho as lembranças do intercâmbio e não deixe de criar novas no Brasil. O processo de readaptação é longo, mas aprenda a ser paciente e a mesmice do dia a dia se tornará menos tediosa. Lembrando que toda novidade se torna comum depois de um tempo. Morei fora quase dois anos e, no fim da experiência, já não experimentava o mesmo entusiasmo do primeiro ano. É a mesma coisa com intercâmbios de longa duração.

Seja paciente

Seus amigos e familiares provavelmente não vão entender a sua angústia. Você cresceu, se desenvolveu, ganhou conhecimento e experiência de vida. Porém, foi apenas você, não as pessoas a sua volta. Tenha paciência se não compreenderem o que está sentindo. Às vezes, você pode cansá-los com suas conversas intermináveis sobre o intercâmbio. Ou seja, mais um motivo para colocar a dica número 2 em prática e reviver as lembranças com pessoas que irão te entender.

Planeje o próximo intercâmbio

Sonhar também faz bem. Com a experiência adquirida, fica mais fácil planejar o próximo intercâmbio. Se prepare para poupar, correr atrás de documentos, verificar datas (alguns intercâmbios são realizados apenas em certos períodos do ano) e toda a parte burocrática com antecedência. Meu primeiro intercâmbio foi uma bagunça. Decidi tudo em cima da hora e foi um corre-corre para conseguir visto, exame médico, documentos. Poderia ter evitado tudo com um pouco de organização.

Cada pessoa tem uma experiência diferente. Já conheci muitos que não sentiram muita falta do intercâmbio e morriam de saudades de casa. Outros, não viam a hora de deixar o Brasil de novo. Para cada um, há uma receita. Essas são apenas algumas dicas que me ajudaram a encarar a tristeza pós-intercâmbio. 

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