e eu quero saber onde estão engasgados

meus imanifestos desejos

uma fotografia é o suficiente para

acordar sentimentos

reação em cascata

corpos em caldas guardadas dentro de roupas

matéria enlatada

mas eu sou virginiana e amo a nudez

a alma quer sair do corpo

pura e líquida

numa combustão única, vermelha

 

a respiração sente vibrações ondulantes

inspiro e vou buscar no recôndito

movimentos expandem na expiração

alvéolos condutores do prazer, da longevidade

músculos alongam, tendões repelem

termina na ponta da pele

e os pelos arrepiam

 

– é proibido expressar sensualidade

é permitido expressar raiva

cansei de ver caras amarradas

prefiro as orgias

acho o mundo o inverso do meu verso –

 

sinto o braço cair em úmida terra

a grama se emaranha nos meus cabelos 

ondas solares

saudação ao sol, meu amor e Rei

Eu Sou sua Rainha

inspiro e exalo

Surya Namaskar

eleva os meus flancos

suave movimento pra começar o dia

 

– sou apaixonada por um barbudo de cabelos longos

que vive passeando entre os seios dos meus sonhos

amar é proibido

mentir é permitido

sou poeta de rua

jogo versos cantantes para os frentistas que abastecem meu fusca verde

eles me aplaudem,

contento-me com a arte espontânea

e assim perco minha energia

Angel Olsen beija meus lábios, cantamos sussurros –

 

chega a tardinha

 

na Pangeia dos mundos emotivos

todos temos os mesmos dragões

dores, derrotas, ciúmes, milhares de alegrias

alegria é o significado do meu nome

satisfação plena pra ser mais exata

eu traduziria como êxtase

como os meus passeios por Minas

tenho centenas de nomes

mas só um me humilha

minha Lua em Leão se despede

o drama que se abre também cede

abre espaço para a realidade sombria

o palco da ilusão começa quando o dia

como um novelo ao chão, fia

acaricio meu gato negro

como uma tapioca

namoro a Lua no meu teto de vidro

saúdo a irmã Lua

desacelero e fecho os olhos

inverso da saudação ao Sol

amo o caos mais do que a rotina fria

penso infinito dentro de uma parede de tijolos

e me despeço do meu doce

e sonolento dia

 

*Os poemas de Letícia são produzidos durante suas jornadas por este mundão.  

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