A gente tende a acreditar que só viaja para Europa quem é rica, né? Ou que é muito perigoso viajar sozinha no exterior. Mas acredite, não é! Em 2015, acho que na metade do ano, eu aproveitei uma graninha extra que tinha ganhado e tirei meu passaporte. Não tinha nenhum destino em vista, nem dinheiro guardado, mas decidi que tinha que dar nem que fosse um primeiro passo.

Com o passaporte em mãos, comecei a pesquisar passagem todo santo dia. Em uma bela noite de novembro, vi que estava rolando promoção na TAP. Achei uma passagem ida e volta, com voo direto, por R$ 2.200, saindo de Recife com destino a Lisboa (sou da Paraíba e moro umas três horas de Recife). Como meu cartão só tem míseros trezentos reais de limite, pedi para um tio meu fazer a compra. Só cabia no meu orçamento se eu parcelasse em 10x, então foi o que eu fiz. Comprei para abril de 2016, quando seriam minhas férias do trabalho.

Depois da confirmação de compra da passagem, minha ficha foi caindo e eu comecei a entrar em pânico hahahaha  Quanto tá o euro? Com qual dinheiro eu vou comprar euro se não tenho nada guardado? E se não me deixarem entrar no país? O que mais eu preciso fora o passaporte? Será que vou saber usar um mapa? E se eu me perder? E se eu ficar com medo? Será que é muita loucura ir sozinha?

Sozinha no exterior: a preparação 

De todas essas dúvidas, a que mais me afligia, era a falta de dinheiro. Fui fazer as contas e mesmo que eu economizasse muito o meu salário, ainda não seria suficiente, pois o euro estava valendo quase R$ 3,50. Comecei então a perguntar a todos os meus amigos se eles sabiam de algum trabalho extra que eu pudesse fazer até viajar. Como eu acredito que quem procura acha, consegui um emprego no Shopping por três meses como vendedora, para cobrir a licença maternidade de uma das funcionárias. Juntando os dois empregos, eu tinha uma jornada de 12 horas.

Com a questão do dinheiro resolvida, era hora de se preocupar com as burocracias. Comecei a perguntar a todo mundo que eu conhecia e que já tinha viajado pra Europa o que eu iria precisar. Também li blogs e entrei em grupos no Facebook. Em outro texto, aqui para o M pelo Mundo, eu já disse que se conheço 10 pessoas que foram para o destino que pretendo ir, eu pergunto para as 10, pois sempre vão ter dicas diferentes.

Descobri que é importante, por exemplo, fazer o seguro-saúde. Muita gente diz que não faz porque (mesmo sendo obrigatório) é difícil pedirem na imigração. Mas sério, não deixem de fazer! Eu fiquei doente na Espanha e precisei ser atendida (uma médica muito amorzinho foi até o hostel que eu estava hospedada e me atendeu). Foi coisa simples, nada que tenha atrapalhado a viagem, mas precisei de antibiótico e só se vende com receita também. O seguro eu fiz pela CVC da minha cidade e paguei 270 (dividido em 10x, risos) por 15 dias (ele cobria toda a Europa).

É muito importante levar todos os documentos exigidos, mesmo que você tenha ouvido de muita gente que eles não pedem. Eu mesma não mostrei nada na imigração, foi super tranquilo. Uma ou duas perguntas e pronto, recebi meu carimbo. Mas, se pedirem e você não tiver, te mandam de volta sem pena nenhuma.

Fora o seguro, é preciso ter o passaporte (claro!), a passagem de volta, comprovante de compra dos euros (você recebe toda vez que compra), comprovante de hospedagem (reservas) ou carta-convite, que foi o meu caso. É importante atentar para as regras de cada país, em relação ao modelo da carta-convite, por exemplo.

Meu roteiro eu montei quase todo baseado nos lugares que eu teria hospedagem. Fui em busca de indicações com alguns amigos que moram em Portugal e na Espanha (os dois países que visitei) e todos me ofereceram pouso. Só em Barcelona fiquei em hostel e sem nenhum amigo por perto. Por isso, a parte II desse texto será sobre a minha passagem por lá. Aguardem, chicas!

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