Esta semana estava no vagão feminino do metrô quando uma menina passou mal e quase desmaiou. Imediatamente, algumas mulheres foram ajudá-la. Deram lugar para ela sentar e uma delas deu uma garrafa de água. A menina se recuperou. Parei um momento e percebi todas aquelas mulheres ali juntas e senti toda a energia e força feminina, principalmente quando reunidas.

Lembrei da importância da sororidade em viagem, de ajudarmos as outras não somente neste momento, mas também em momentos em que mulheres se sentem em risco, quando são ofendidas, humilhadas ou assediadas. Tudo isso me fez lembrar de situações que vivi em viagens e mulheres que me marcaram.

Sororidade em viagem: viajamos sozinhas, mas podemos nos unir

Cresci enquanto mulher viajante quando deixei de me culpar por viajar sozinha, por andar com a roupa que eu queria.  Cresci quando deixei de subestimar minha capacidade de fazer coisas incríveis e quando parei de pensar que sozinha não conseguiria.

Lembrei que passei a ter mais empatia com outras viajantes quando deixei de julgar atitudes que não eram atitudes que eu tomaria, comportamentos ou formas de viajar que não eram as minhas.

Comecei a ter mais conexão com elas quando passei a valorizar cada uma e sua bagagem de vida, quando comecei a trocar histórias de viagem.

Temos sempre muito em comum e muito para trocar

Uma das histórias mais marcantes, quando penso em mulheres que me ajudaram em uma viagem, é a que aconteceu na Colômbia. Eu não tinha mais nenhum centavo, precisava ter acesso à minha conta no Brasil e não era possível fazer o trâmite online. Ninguém no Brasil conseguiu me ajudar.

Confiei meus cartões e minha senha a uma brasileira que tinha conhecido há menos de um mês e ia voltar para o Brasil em breve. Ela me emprestou dinheiro para seguir viagem, conseguiu me enviar dinheiro do Brasil e guardou meus cartões até eu voltar. Até então não tinha previsão de volta. Agradeço por ter confiado e agradeço a todas as outras mulheres que me ajudaram em momentos de desespero, saudade, tristeza, dor e doença.

Como quando fiquei doente na Austrália

Tive depressão durante o intercâmbio. Estava num relacionamento abusivo, longe dos amigos do Brasil e da família. Impossível esquecer das duas mulheres que me acompanharam, duas brasileiras que não me julgaram por continuar no relacionamento, não julgaram nenhuma das minhas decisões, mas estavam sempre dispostas a me ouvir. E, mais do que isso, me deram força!

Temos uma força imensa, só precisamos lembrar disso. E unidas somos mais fortes. É uma frase clichê, mas às vezes eu acredito em clichês. E acredito sobretudo nas pessoas.

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