O que falar sobre Sana? Sana é representado pelo silêncio, Sana é presença, Sana é paz, Sana é amor. O que falar sobre Sana?

Estive em Sana no final de semana passado. Para nós, cariocas, Sana é um presente que fica na Serra Macaense, a duas horas da cidade do Rio de Janeiro . A estrada para lá, BR-101, é bem tranquila. A que vai do portal de Casimiro de Abreu até a cidade é que é meio questionável. Mas, na boa, o apertinho no coração é compensado a passos largos.

Sana não tem nada e tem tudo. A cidade resume-se a um centrinho, bem sem gracinha, tadinho, e às cachoeiras. E que belas cachoeiras! A igreja do centro da praça, bem bonita, fica tristemente cercada. Durante o dia abre, durante a noite a praça central tem sua visitação proibida. Mas tudo bem. O resto todo de Sana compensa.

As cachus ficam bem pertinho do centro da cidade. A pé, qualquer um, não importa o condicionamento físico, tem acesso ao lugar. Estão lá as cachoeiras do Escorrega, do Pai, Da Mãe e a das Sete Quedas.

A cachoeira do Escorrega, como o próprio nome diz, é uma das mais divertidas. Fica logo no comecinho da trilha, perfeita para pessoas de mais idade que não podem se esforçar muito ou mesmo para as crianças.

É delicioso sentar e observar os minhocas-da-terra descendo aquelas pedras sem medo. Eles fazem mil e uma estripulias, manobras das mais radicais. Cada um que desce, claro, traz o nosso coração urbano à boca.  Há também os turistas corajosos que se arriscam nos movimentos. Nossa, aí o espetáculo fica melhor ainda! É um tal de cair que não faz ideia! Perfeito para boas risadas. Eu, que não sou boba nem nada, sempre desço o escorrega de bumbum. Tenho uma reputação a zelar! Ah, mentira. Tenho nada. Mas tenho medinho. Isso, sim.

As cachus do Pai e da Mãe ficam mais em cima. Tem que andar um pouco mais, mas a trilha também é fácil. Há umas descidas mais íngremes, mas nada que um cuidado maior não permita a passagem. Na cachoeira da Mãe pode-se também escorregar ou pular. Mas essa é destinada a nível hard de minhoca-da-terra ou mesmo para a turistada mais experiente.

A Sete Quedas é lindimais! Parecem pequenas prateleiras de queda d’água, dá para sentar embaixo e sentir o peso da água batendo no corpo.

Atualmente,  as cachoeiras ficam dentro do mais novo Sítio do Bambu. Os que frequentaram a cidade há tempos e voltaram só agora no início de 2017 (eu!) podem estranhar a entrada ser condicionada a uma taxa de R$ 10,00. Os guias do parque logo explicam que se trata de um movimento de preservação. Com a taxa de entrada, pode-se investir na manutenção das trilhas e em segurança. E é bem verdade. Em todas as cachus há um guia que é treinado em primeiro socorros e salvatagem.

Tirando o circuito de cachoeiras, Sana tem a própria paz a ofertar. O pequeno vilarejo ganhou um toque de gourmetização e agora conta com restaurantes requintados e deliciosos.

É claro que aquela padaria do Seu Manél continua lá no meio da praça, com aquele pão na chapa cheio de manteiga bem gorduroso e saborosíssimo. Fato é: gourmetizado ou não, come-se muito bem e bebe-se muito bem. Dessa vez que fui, provei o famoso Lassi que, segundo alguns nativos, é bebida típica de Sana.

Uma olhada rápida na internet me fez ver que Lassi tem graaande parentesco com a Índia. Mas se eles estão falando que é de lá, né, é porque é típica de lá, ora bolas. Enfim, Lassi é uma delícia. É diferente, leve, assemelha-se a um iogurte. Vale a pena experimentar.

E os nativos? Gente, nem parece estado do Rio de Janeiro! As pessoas são mara! Elas sorriem! Elas são fofas, são educadas! Têm aquele jeitinho de quem tem todo o tempo do mundo, sabe? E juro que acho que acreditam que têm, sim. Não tem tempo ruim com elas. Mas também, né, não tem tempo ruim em Sana. Faça sol ou faça um enorme temporal, Sana está lá, de boaça. E aqui fica meu convite: vá para Sana. Desestresse-se em Sana. Sinta a paz de Sana.

Imagem: Natasha de Pina

Imagem: Natasha de Pina


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