Ritos de risos ou ritos que irritam?

Ritos rápidos, irrelevantes

Permanência na forma, conteúdo extinto

Adereços de distrair

Roupas, trajes, fotos, vídeos

O velho com roupa limpa e nova

mas ainda sim, muito velho rito!

 

Viajo e procuro um nenúfar

a cabeça gigante da Kundalini

nadando em ondas de arco íris

qualquer coisa que supere os feriados

e me leve além dos personagens

caducos, vazios e batidos

minha arte, minha obra, meu culto à Ísis

 

Catarse em tudo

gosto da nudez de sentimentos

alma, mente e corpo

encho os pulmões, fragrância de guabirobas

dou bananas para os saguis

saboreio espetáculos da Mãe Terra

nos encontros e reencontros dos lugares vis

 

Quando o Sol partiu e deixou a Lua com saudades

vi um rio ser tingido de rubra cor

ela subiu rugindo como uma leoa no firmamento

coloquei os pés na água

gosto dela, é vermelha como meu sangue menstrual

ondas me cortejam com um movimento

carícia vermelha nos meus pés em transe

 

Caminho para longe, sorrio depois

sou passageira de primeira viagem

anfitriã dos meus ritos, senhora das minhas leis

soberana do meu destino

na liturgia da liberdade

o que importa é a delícia da minha própria condução

a vida é nova enquanto selvagem

 

Descobri que não sou o meu corpo

eu não sou o Rio Vermelho

eu não sou o meu trabalho

eu não sou uma casa

mas estou neste corpo, habitando uma casa

nas margens do Rio Vermelho

estou o que sou neste momento e aceito

 

Na festa dos meus cultos

sinto os limiares do meu corpo

não confunda peso material com prisão

quero gritar em alma nua, carne viva

a minha cerimônia existencial

minha dança favorita

é uma vontade pura merece sempre ser seguida

 

E eu vou, para mais e para longe

saída obrigatória, parada indefinida

só Deus sabe para onde

ali onde os vaga lumes bailarinos se escondem

meu ritual está completo

sala de estrelas, teto brincante

cogumelos no chão e uma marcha atrevida!

 

Rio Vermelho, setembro de 2015.

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