Era março de 2014, eu, minha esposa e meu melhor amigo resolvemos embarcar para o Peru. Não era o nosso destino favorito, mas, por um motivo que hoje nem tem mais importância, resolvemos conhecer o país. 

Estávamos animados com o estilo “desbravador dos sítios arqueológicos” que Cusco e Machu Picchu poderiam nos dar. Então, no melhor modelo Indiana Jones, fomos montando nosso roteiro, nosso vestuário, nossos gastos. Enfim, toda aquela fase pré-férias que todos adoramos.

Detalhes de viagem importantes para mulheres acima de 35 anos

Hospedagem

Veja bem, não somos mais tão novinhas, então, existem algumas coisas que são importantes para mulheres que já passaram dos 35 (ou estão com mais de 40, 50…), como por exemplo, a hospedagem.

O que aos 20 anos era uma escolha banal, depois dos 30 vira uma coisa mais complicada. Antes qualquer cama de hostel era bem-vinda, desde que houvesse uma certa preocupação com a higiene. Mas depois dos 35 as coisas mudam! E como mudam! Uma noite mal dormida significa um dia perdido, porque as dores nas costas e o mau humor vão fazer você perder muito do dia de passeio. Então, em Cusco, ficamos em um hotel com um excelente custo-benefício: Best Western. Ótima localização, limpo, café da manhã muito legal, atendimento excelente e um preço interessante. Ponto positivo para gente!

Alimentação

Uma segunda questão importante é a alimentação. Olha, parece que quando a gente vai envelhecendo, ou melhor, “amadurecendo”, o nosso estômago vai dizendo: “pelo amor de Deus, tenha dó de mim!”. É sério, a gente começa a andar com sal de frutas na mochila e reza antes e depois do almoço, mas não só para agradecer o alimento, mas principalmente para não ter qualquer tipo de problema gástrico. E em Cusco tivemos uma grata surpresa quando no centro da cidade (a cidade é bem pequena) encontramos muitos (muitos mesmo!) restaurantes que serviam um menu turístico com entrada, prato principal, bebida e sobremesa. Os preços eram muito bons e a comida ok. Não era lá uma refeição assinada por Gaston Acurio, mas a gente se alimentou bem sim.

Vestimentas

Depois vêm as vestimentas. Sabe aquela história de que uma bermudinha e uma blusinha resolvem tudo? Então, vira mentira com o amadurecimento. Em março estava um tempo “fresco”. Dava para usar uma calça e uma camisa de manga longa fina. De manhã uma jaqueta, mas depois esquentava. Agora o tênis, esse sim, muito confortável. Anda-se muito nos sítios arqueológicos. Então fomos com nossos tênis mais confortáveis possíveis, calça tipo legging, boné, garrafinha de água na mochila e muita folha de coca para mascar.

Roteiro no Peru

Cusco

Bom, feitas essas ressalvas para nós mulheres “não tão novinhas”, vamos ao nosso roteiro: saímos de São Paulo, fizemos uma escala em Lima e depois fomos para Cusco.

Ficamos cerca de 2 noites em Cusco, visitando os sítios arqueológicos que ficam próximos à cidade. Compramos um bilhete turístico que valeu muito a pena, pois ele dá direito a entrar nos sítios e em alguns museus. Esse bilhete é comprado na prefeitura municipal de Cusco. Chegamos cedo e já tinha uma pequena fila. Pediram nossos passaportes para emitir o bilhete.

Nesses primeiros dias conhecemos a Plaza de Armas e  Qoricancha, trocamos alguns soles, compramos folha de coca (porque a minha cabeça estava pesando uma tonelada já) e na parte da tarde contratamos um táxi para nos levar até os sítios arqueológicos das redondezas.  Conhecemos também os sítios mais distantes, como Pisac Ollantaytambo. Esses foram necessários uma excursão, que durou o dia todo.

Em Ollantaytambo pegamos um trem para Aguas Calientes. O trem foi ótimo, confortável, deu para esticar as pernocas e descansar um pouquinho. Dormimos em Aguas Calientes e no outro dia, finalmente, Machu Picchu!  A razão da viagem, o espírito Indiana Jones locupletando nosso ser e aquele tempo maravilhosamente: nublado! Não se pode ter tudo, não é mesmo?

Imagem: Laura Camargo / acervo pessoal

Mas vamos lá! Importante para nós mulheres: banheiro somente na entrada de Machu Picchu. Não dá para fazer um xixizinho lá dentro. Não! Sem chance. Então, apesar de ser necessário se hidratar, tem que maneirar na água. Não dá para fazer a cena do comercial de refrigerante, balançando os cabelos e o líquido jorrando por todos os lados. Não, não. Vá com calma, mas beba água.

Durante o passeio o tempo foi se abrindo, o nosso guia (contratamos um na entrada) explicando tudo sobre os Incas e eis que Huayana Picchu se mostra esplendorosa na nossa frente. Eu e meu amigo havíamos comprado a subida em HP sem falar nada para Ana, minha esposa. Quando ela soube o que a esperava, ela quase ligou para um advogado naquele mesmo momento, pedindo nosso divórcio.

Para quem não sabe, Huayana Picchu é aquela montanha emblemática de Machu Picchu. Para subi-la você tem que comprar um bilhete especial e marcar a hora da subida. É puxado e demora cerca de uma hora e meia para chegar ao topo. Teimosa e orgulhosa, Ana subiu. Em alguns momentos competíamos com uma senhorinha de uns 60 anos. Quando ela e o marido nos passavam, Ana estufava o peito e ia. Foi nosso grande incentivo. Saudade daquela senhora.

O visual é maravilhoso e valeu cada gota de suor e xingamento da Ana. É muito bom ver as fotos de Machu Picchu e pensar: subi toda essa m*!

Dormimos mais uma noite em Aguas Calientes e voltamos para Cusco. Mais duas noites em Cusco, tomando uns piscos, nos deliciando com a culinária peruana (ô comida boa!), comendo uns milhos gigantes, bebendo umas chichas moradas e até visitando um restaurante famosão, o Chicha, do Gaston.

Lima

Depois partimos para Lima, num voo curto. Em Lima conhecemos poucas coisas, e o que mais me marcou foi um parque cheio de fontes luminosas (Circuito Mágico das Águas). Muito bonito, diferente, um local que compensa ser visitado.

Assim, o Peru, que nem era o nosso destino favorito naquele momento, tornou-se uma paixãozinha, sabe? Aquela que a gente sente saudade, que lembra com carinho. E hoje, quando eu e Ana pensamos na nossa futura velhice, cogitamos fortemente em passá-la em Cusco. As paixões são assim, acontecem de repente, sem grandes pretensões. Ter encarado o Peru com toda força e coragem foi a nossa melhor decisão naquele momento. E viva o Peru!

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