Há tempos que eu planejava mentalmente uma viagem em abril para conhecer o frio. Eu, que tanto afirmo “eu amo o frio”, vivendo no sudeste brasileiro, queria conhecê-lo na sua forma mais extrema. Finalmente graduada e, com mais tempo livre, aproveitei para tirar as férias do trabalho em abril de 2018, outono na Patagônia, o lugar escolhido.

Foram trinta e dois dias de viagem e ainda não foi o suficiente para explorar tão bem, no melhor sentido da palavra, mas deu para sentir que ali é um lugar que vale a pena conhecer. Percorri a Patagônia Argentina e a Chile, e como uma peregrina, passava de fronteira em fronteira.

A região é ideal para os amantes de esportes radicais, trekking e, principalmente a gloriosa, incrível e fantástica pachamama. Na época, eu fiquei em dúvida entre conhecer o Sul ou o Norte (Colômbia) do continente.  Eu adoro conhecer outras culturas, entrar em contato com a natureza, e na Patagônia eu achava que só iria estar em contato com o meio natural, que erro o meu. Vamos para o Sul! Foi a escolha mais certa que eu tomei.

Um pouco sobre minha peregrinação na Patagônia

Crédito: Fernanda Durazzo / acervo pessoal

O silêncio, o caminho solitário, o frio, o vento que bate nas montanhas, o vazio. É um lugar para se fascinar. Em diversos momentos eu me surpreendi. Tomei coragem e pedi carona, esperei por horas em estradas e sozinha. Quando estudei minimamente a região, eu já havia escutado que a região é muito segura, até mesmo mais do que na Europa, o que me deixou mais confiante.

Fiz couchsurfing. Dormi na casa do tio de um cara que eu conheci em um barco. Participei de uma festa e fiz MUITOS amigos! É impressionante como estar presente é vivo naquele lugar. Não tem espaço para “deveria ter feito” “devo fazer”. É só “vamos!” “agora!”. É isso, é a vida na sua mais perfeita plenitude.

Eu não tinha me planejado muito bem. Depois que eu decidi, arrumei a mochila, juntei uma grana e fui. O roteiro foi sendo montado no caminho com várias opiniões. Às vezes eu cancelava o que estava planejado, fui vivendo.

Olha, para uma libriana, eu me saí muito bem. Dessas andanças (des)planejadas, eu tomei chuva, passei fome, quase fiquei sem lugar pra dormir, senti medo, senti muito frio (era o que eu queria, não?), não consegui carona e tive que andar quilômetros para cruzar a fronteira onde táxi não é permitido.

Eu faria tudo de novo

Crédito: Fernanda Durazzo / acervo pessoal

O povo do sul do continente é extremamente simples e solidário. A carona é comum e, inclusive, se eu tivesse barraca, um quintal qualquer poderia virar o meu hotel (sim, alguns oferecem o seu próprio quintal aos viajantes).

As pessoas são solidárias, e são porque são, não esperam nada em troca. Diante de tudo o que vivi, é quase uma vida paralela e dá força para viver e acreditar. A gente aprende com a natureza que, para um bom convívio, o respeito é fundamental.

A natureza deve ser respeitada. O vento, o glacial, os rios, as trilhas, os animais devem ser respeitados. Garanto, o retorno é incrível e indescritível. Lutemos por esse mundo!

A Patagônia é um lugar quase inóspito e ainda assim um lugar solidário, quase um paradoxo, me fez enxergar um outro mundo. Me fez perceber que esse mesmo mundo é muito maior do que eu imaginava.

A natureza tão bela e grandiosa. O ser humano, solidário, tão belo e grandioso. Dá vontade de viver. Percebi também que poucas coisas estão sob meu controle, e isso não foi um problema.

Posso ter passado alguns perrengues, mas uma coisa é certa, a escolha, ou seja, eu ter ido conhecer o melhor lugar do mundo! Agradeço as deusas por ter me permitido o contato com tamanha riqueza (cultural e natural). Se me permitirem voltar, peço licença, pois eu volto mesmo.

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