A palavra “viagem”, no dicionário, é substantivo feminino. Coincidência ou não, são as mulheres que transformam esse substantivo em prática. No Brasil, o turismo está entre as 10 áreas com maior participação de mulheres no mercado. Além disso, segundo uma pesquisa da Catho, elas ocupam 55,68% dos cargos do setor. Nesse sentido, podemos afirmar com tranquilidade que são as mulheres no turismo que fazem tudo acontecer.

O turismo também vem sendo uma área de destaque, ainda que precise avançar muito, quando o assunto é cargo de liderança. A pesquisa International Business Report (IBR) – Women in Business, produzida pela Grant Thornton, constatou que na América Latina os setores de turismo e hotelaria são os que mais contam com mulheres em cargos de liderança (31%).

Cristina Lira, jornalista de turismo que conta com passagens por diversos veículos e com ampla experiência no setor, destaca que ao longo dos últimos anos identificou um aumento das mulheres nos cargos de liderança das empresas.

“Nos últimos anos, houve um aumento considerável de mulheres em cargos de chefias nas empresas do Turismo. Podemos citar, por exemplo, a Associação Brasileira de Agentes de Viagens, do Rio Grande do Norte, que já teve sua presidência ocupada por mulheres, bem como a Braztoa, com a presidente Magda Nassar, além de outras empresas. É um grande mérito para as mulheres e um grande orgulho chegar ao topo”, analisa a jornalista.

Imagem: jornalista Cristina Lira / acervo pessoal

Mesmo diante do avanço, as mulheres ainda sofrem com discriminação de gênero no turismo. A jornalista que está há muitos anos no mercado e em contato com profissionais brasileiros e de diversos outros destinos diz que já sofreu com isso. “Muitos homens se sentem superiores às mulheres. Porém, o mercado tem espaço para todos. Cada um tem seu brilho, independente do gênero”, comenta.

Afinal, como a participação das mulheres no turismo impacta em nós, viajantes?

A igualdade de gênero no setor de turismo é um avanço para toda a sociedade. Seu impacto pode ser muito benéfico para as mulheres viajantes. Isso porque ações especificas para esse público podem ser desenvolvidas pelo viés de quem sabe o que são as dificuldades de ser mulher em uma sociedade patriarcal.

Cristina Lira comenta que, como vivemos em um mundo globalizado, cada vez mais veremos o mercado de turismo avançando e oferecendo novas condições para mulheres em todas as suas fases.

“Nunca se imaginaria antigamente uma viagem somente de solteiras acima dos 40, dos 50 anos ou um intercâmbio para mulheres da melhor idade. Hoje as mulheres estão mais esclarecidas, mais atuantes e muito mais atentas as novidades do mercado”, explica.

A jornalista também enfatiza sobre como a segurança vem sendo um tópico trabalhado pelas agências de viagem. “[…] antes da compra de uma passagem ou um pacote em uma agência de viagem,  o consultor enfatiza detalhes para a segurança e bem-estar de uma viagem feita por uma mulher”, comenta.

Contudo, não só as empresas devem seguir o caminho de proporcionar ações afirmativas para as mulheres. O Ministério do Turismo, por exemplo, também precisa começar a se posicionar e poderia seguir o exemplo do Ministério do Turismo do Uruguai.

Nossos hermanos estão trabalhando para reafirmar o compromisso de promover igualdade de gênero tanto para as viajantes quanto para as mulheres que trabalham no setor. Inclusive, promoveu um prêmio para reconhecer o trabalho delas no turismo.

“O Ministério do Turismo do Brasil poderia, com certeza, seguir o exemplo do Uruguai e promover algo parecido. Com isso, valorizaria as mulheres no turismo e ganharia muito mais o apoio delas. Hoje as mulheres representam grande fatia do mercado hoteleiro, das agências de viagens emissivas e receptivas com seus guias de turismo, dos restaurantes”, finaliza a jornalista.

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