É uma sensação de positividade cósmica a que sinto quando abro o Instagram e vejo tanta mina preta viajando enquanto navego pelo meu feed. Lembro que não era assim há 5 anos. Me animo ao saber que daqui a 5 anos mulheres negras que viajam seja um ato cada vez mais rotineiro. Em nome de ver tantas mulheres negras viajando e contando suas histórias, pensamos em dicas para possibilitar e otimizar essas viagens. Confira!

1-Opte por plataformas, sites e agências afrocentradas

É super importante que tenhamos em mente que hoje existem diversas iniciativas que incentivam a viagem da comunidade negra. Devemos utilizá-las como aliadas, além de também ser uma forma de contribuir para que elas continuem existindo.

Você pode utilizar plataformas, sites e grupos no Facebook como consulta de informações e forma de contato com outras pessoas como você. Pode ainda optar por agências que são especializadas em roteiros afrocentrados porque elas entenderão sobre nossas necessidades e interesses.

Um ótimo exemplo é a Travel Noire que cria ferramentas e facilidades diversas para que cada vez mais encontremos por aí viajantes como nós. É ainda uma plataforma que produz muito conteúdo acerca do universo de viagens e raça.

O Diáspora Black é um exemplo de plataforma de hospedagem que conecta anfitriões negros a hóspedes negros, atuando como uma espécie de Afro Airbnb.

A Bitonga Travel tem a proposta preciosa de compartilhar as histórias de mulheres negras viajantes para promover visibilidade e servir como inspiração para aquelas que ainda desejam meter o pé na estrada

2-Pesquise sobre o histórico do país

É de suma importância que saibamos exatamente como o nosso próximo destino lidou e lida com a questão de raça. É preciso que nos informes sobre legislação, cotidiano de pessoas negras por lá e vivências de outros viajantes.

Quanto mais informações tivermos sobre o local, melhor será o nosso processo de adaptação e melhor saberemos como nos preparar, como nos portar, se existe algum lugar a evitar etc.

Sei que, por muitas vezes, o absurdo da situação gera em nós um sentimento de revolta. Isso acontece por ainda precisarmos nos preocupar com esse tipo de coisa. Contudo, existem países ainda abertamente racistas onde crimes de ódio não chocam ou não são punidos como deveriam ser.  Desta forma é necessário que preservemos nossa segurança. Mesmo quando nos indignamos, é questão de sobrevivência saber até onde podemos ir.

3-Busque por organizações contra o racismo e machismo

Para garantir uma maior segurança, pode se inteirar de organizações que atuem contra o racismo e também o machismo no destino. Muitas vezes elas são responsáveis por realizar campanhas ou divulgar medidas de proteção para conscientizar as pessoas e minimizar os riscos.

No Brasil, temos o exemplo do movimento #vamosjuntas. Ele começou como uma campanha virtual e se tornou um grito de incentivo à sororidade. O projeto atua de forma prática para garantir a segurança de mulheres através de números.

Há também a iniciativa pela campanha “Eu sou Angela” que criou uma bebida específica que serve como um pedido de ajuda de mulheres que estão em situação de perigo em bares pelo mundo.

Na Argentina, a ONG Mujeres en Red divulgou a iniciativa em banheiros de bares nos quais alertava a mulheres que deveriam pedir a bebida de nome X caso sentissem que estavam em algum tipo de risco devido a um homem presente no bar. A equipe do bar, então, se prontificava em ajudar e garantir que ela saísse dali e fosse para casa em segurança.

É também o caso da campanha “Jovem Negro Vivo Pelo Mundo” lançada pela Anistia Internacional, uma ONG em prol dos direitos humanos que atua mundialmente com campanhas de conscientização e pressão para a mudança de legislações injustas e prejudiciais.

4-Siga blogueiras negras

Precisamos ver viajantes que se pareçam conosco e que vivenciem experiências com a mesma perspectiva que temos. Seguir blogueiras negras para inspirar viagens é mais do que representatividade, é reafirmação.

Mulheres negras que viajam existem e aos montes. Por tanto tempo vivemos sem referências nas quais nos espelhar. Ver o cenário mudando é um privilégio do qual somos muito sortudas por fazer parte. Há muita gente que se foi esperando ver a revolução acontecer e ela só está começando.

A Paula, do No Mundo da Paula, fala sobre suas experiências em diversos países enquanto turista negra. A Gloria, do The Blog Abroad, constantemente compartilha suas impressões enquanto uma nômade digital negra em meio a tantos outros brancos com quem encontra. E eu procuro trazer uma mistura de relatos de viagens, reflexões sobre raça e turismo responsável no Negra em Movimento.

5-Incentive empreendimentos por pessoas negras no destino

Por último, é bem bacana quando viajamos e doamos de volta ao local. Principalmente quando doamos de volta à gente como a gente que tenta ganhar a vida por lá. Por isso, sempre que possível pesquiso empreendimentos comandadas pela comunidade negra local para poder conhecer e contribuir.

A Travel Noire tem uma série de posts muito interessante sobre como passar um dia em cidades diversas somente usufruindo de estabelecimentos liderados por negros. O casal do Favelados pelo Mundo frequentemente indica iniciativas legais por nossos irmãos ao redor do mundo enquanto viajam.

Sabe aquela frase bem clichê que ouvimos desde crianças que diz “a união faz a força”? Esse é um dos clichês mais reais dos quais me lembro. Enquanto mulheres negras que viajam, unidas nos fortaleceremos e unidas conquistaremos o que for desejado. Não há prazo de validade para a garra.

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