Quando eu comecei a viajar sozinha, acreditava que ser destemida seria a melhor qualidade que eu poderia ter para me aventurar por aí sem companhia. Que além de ter coragem, eu também saberia enfrentar as situações mais inesperadas e assim eu iria viajar sozinha sem medo de nada. Eu queria ser destemida porque acreditava que só assim eu conseguiria aproveitar de verdade, mas acabei descobrindo que ser completamente destemida não é apenas difícil, é impossível. A verdade é que ter medo é muito normal.

Primeiro eu quero dizer a todas nós que viajamos que não há nada de errado em ter medo de viajar sozinha e que há sim maneiras de lidar com os nossos medos. Existem riscos quando se viaja? Claro, os mesmos riscos que existem quando estamos em casa, só que parecem que assustam mais se estamos longe e em algum lugar desconhecido. Tendo atenção, tomando alguns cuidados e fazendo uma boa pesquisa sobre o local antes da viagem, não há o que temer.

E se?

O “e se” parece um pensamento inofensivo, mas ele sempre aparece e permanece em algum lugar dos meus pensamentos enquanto arrumo as minhas malas, quando entro no avião, quando chego em algum lugar completamente novo para mim – mesmo depois de tantas viagens. E se me roubam? E se eu fico doente? E se eu quiser voltar? E se o meu plano não der certo? Bom, mas e se não? E se nada disso acontecer?

Conheça o seu medo e tenha um plano

O primeiro passo para lidar com o medo de viajar sozinha é conhecer os seus medos e encontrar uma solução para cada um deles. O medo é a insegurança ou o choque cultural? Então é preciso se informar bastante sobre o local, sobre os costumes, a cultura e saber quais as precauções e os principais cuidados que precisam ser tomados.

O medo é o dinheiro? Então é preciso fazer um planejamento bem feito sobre os custos da viagem e ter uma ideia realista de quanto as coisas podem custar. O medo é de se sentir sozinha? Para este medo, eu tenho uma ótima notícia: com certeza você vai encontrar alguma companhia durante a viagem se quiser.

Há outros viajantes por aí que também estão sozinhos e que também querem, em algum momento da viagem, ter companhia. E é sempre bom conhecer pessoas novas, de lugares diferentes e que muitas vezes têm histórias inspiradoras de viagens e de vida para contar e que podem se tornar amigos de verdade mesmo depois que a viagem acaba (falo por experiência própria). Muitas vezes, conversar com pessoas assim, enriquece muito a viagem e as chances de fazer novas amizades são muito maiores se você está viajando sozinha do que se estivesse acompanhada.

Lembre-se do porquê e foque na parte positiva

Qual a importância que esta viagem vai ter na sua vida? Você vai ter outra chance como esta? Daqui a um ano, você vai se arrepender de ter desistido e vai desejar ter feito esta viagem mesmo com medo? Algumas oportunidades não aparecem sempre em nossas vidas e o medo não deveria ser a causa da desistência do que realmente queremos fazer.

Viajando sozinha eu aprendi a ser mais responsável pelas minhas coisas e por mim mesma, aprendi a prestar mais atenção nos meus pensamentos, aprendi a fazer escolhas mais conscientes, a ser menos indecisa, a lidar com as consequências das minhas escolhas e a analisar as vantagens e as desvantagens de cada uma delas.

Isso me deu segurança e me ajudou a conhecer melhor os meus medos e a descobrir a melhor maneira de superá-los. Aprendi a estar (e gostar de estar) sozinha, a aceitar e a gostar do silêncio e a gostar de conversar com outras pessoas também. Aprendi a apreciar a minha própria companhia, a confiar mais e a vacilar menos. O medo nunca vai deixar de existir, mas sentir medo indica que antes de tudo, eu tenho coragem. E eu sou tão medrosa quanto sou corajosa. Afinal, a ausência de medo só significa a ausência de coragem.

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