Quando decidi fazer intercâmbio, que seria minha primeira experiência internacional, uma das minhas primeiras preocupações foi quanto a minha segurança. O Canadá é o sexto país mais seguro do mundo, de acordo com o estudo Global Peace Index. Porém, vinda de um país exatamente abusivo e violento para as mulheres, acredito que esse pensamento acontece quase que involuntariamente.

O primeiro choque foi andar na madrugada pela cidade. Em Toronto, o transporte público funciona diariamente até 1:30 e, após esse período, linhas noturnas circulam nas principais vias da cidade até o início da manhã, quando tudo volta ao normal.

Aqui, eu moro em Scarborough, um dos bairros afastados de Downtown e toda badalação de cidade grande. O que me custa 1 hora para ir ou voltar dos rolês. Bom, primeira semana, amigos novos, fomos conhecer o Crocodile, bar famoso entre os estudantes e duros do câmbio desleal. Conversas vão e conversas vem, resolvemos ir embora 00:30 e já me bateu aquele frio de voltar sozinha aquelas horas.

Entrei no metrô, dei uma olhada e ele estava vazio, como é esperado para o início da madrugada. Segunda olhada, vejo outra moça, roupa de balada, tranquila e escutando música. Terceira olhada, outras duas moças de burca, rindo e falando sobre maquiagem. Metrô, ok.

O próximo passo era o ônibus. Para a minha surpresa, o busão estava lotado! Entrei, ninguém me viu, segui tranquila até minha parada. Nesse momento, chega uma das partes mais complicadas para quem mora em perifa: o teste dos caras numa moto. Desci no meu ponto, atravessei a rua ligeira e já me preparei pra correr a qualquer momento e nada!

Não tinha ninguém, nenhum movimento, nenhuma ameaça, nada. O máximo que tive de companhia foi um esquilo que atravessou a rua correndo e quase tirou meu coração do peito!

Toronto passou no teste

Em resumo da obra, a partir de então, percebi que estava segura ali e não precisava andar com tantas armaduras. Isso significa que tudo são flores em Toronto? Claro que não, constantemente vejo denúncia sobre abusos sofridos por imigrantes, principalmente vindas de países africanos e islâmicos.

As mulheres aqui ainda recebem menos e se dedicam mais ao cuidado com as crianças e afazeres domésticos. Ainda assim, a transformação feita pelo comprometimento com a promoção da igualdade de gênero de Justin Trudeau, primeiro ministro canadense, é sentida diariamente.

No transporte público, nas frentes de trabalho, quando vejo famílias inteiras cuidado dos seus filhos no passeio ao parque ou quando vejo casais lésbicos vivendo sem medo. É necessário mais mudanças, certamente! Porém, alimenta ainda mais minha esperança de viver em um lugar onde estejamos a salvo e saber que, sim Brasil, é possível! Indo pelo caminho certo, tudo é possível!

 

 

 

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