Em 1889, Lilias Campbell Davidson publicou, na Inglaterra, o livro “Hints to Lady Travellers: At Home and Abroad” (em português, Senhora viajante: em casa e no exterior) que era como um guia para mulheres que viajavam sozinhas ou acompanhadas. Ok, você pode estar se perguntando “mas elas podiam viajar?”.

Livro “Hints to Lady Travellers: At Home and Abroad”

A verdade é que, no século XIX, viajar era um privilégio predominantemente masculino. Uma “boa mulher”, na mentalidade machista da época, deveria cuidar dos afazeres domésticos. Contudo, algumas inglesas de famílias abastadas financeiramente conseguiam “burlar” as normas impostas e viajar.

Diante disso, o livro tinha como público-alvo justamente essas inglesas victorianas. Afinal, quais eram as dicas? Vamos apresentar. Spoiler: algumas são péssimas.

1.Não leve muito peso

Ok. Esta dica não é algo muito diferente do que algumas mochileiras escutam hoje em dia, certo? Acontece que o contexto é bem diferente. Na época, não havia mala de rodinhas ou produzidas com material leve. Por isso, a dica era levar poucas roupas. Contudo, o livro destaca que se a mulher tivesse criadas era possível levar mais coisas, já que elas levariam a bagagem (também ficamos mal ao ler e escrever isso).

2.Controle sua dieta

O livro destaca que a viajante deve evitar comidas gordurosas. Segundo os médicos da época, a recomendação é comer caldos leves. Ela também deveria evitar pão muito fermentado e “matar” a fome com bolachas salgadas. Além disso, a dica extra era levar um abridor de latas ou garrafas e se recordar que e o vinho deveria ser tomado com moderação.

3.Levar ou não as criadas?

Pois é, o grande dilema das mulheres da alta corte, ao viajar, era levar ou não as criadas. O livro era bastante enfático sobre isso e dizia “geralmente, as criadas são inúteis e ficam ainda mais inúteis em situações de emergência. Se precisas mesmo dela, pelo menos que vá contigo na mesma carruagem de primeira classe, pois numa inferior não servirá mesmo para nada”.

4.Estilo das roupas

Basicamente, o livro indica viajar de forma simples e recomenda dispensar as joias para não chamar a atenção. Também enfatiza que algo extremamente proibido para elas era levar calças.

5.Não importune seu acompanhante

Ao viajar com um acompanhante, as mulheres eram indicadas a submissão, ou seja, não poderiam “importuná-lo” com perguntas como “que horas chegamos” ou “para ONDE vamos?”. Horrível, né?

6.Nada de gorjetas

Por algum motivo, as mulheres eram proibidas de dar gorjetas.

7.Hospedagem

Quando viajavam acompanhadas, as mulheres não podiam fazer o check-in. Isso porque, na época, era uma responsabilidade do homem. Normalmente, as hospedagens eram indicadas por parentes e amigos. Elas precisavam ser bem mobiliadas; os lençóis tinham de estar extremamente secos, pois umidade era sinônimo de doenças mortais (?).

As mulheres que viajam sozinhas precisavam informar ao gerente o horários de suas refeições. Ocorre que elas tinham de ser acompanhadas até à mesa para evitar a “vergonha” de serem vistas sozinhas.

8.Viajar sozinha

O livro também se dedica a dar dicas para quem viajava sozinha. As dicas eram: levar mapa e um guia de viagem para evitar pedir informações para desconhecidos.

A autora também alertava para o perigo: “as viajantes solitárias costumam ser um alvo fácil para homens mal-educados. Quem for confrontada com um cenário destes, não deve responder. Para evitar situações embaraçosas, o melhor é sentar ao lado de outra senhora ou perto de um homem com mais idade”.

Resumidamente, essas eram as dicas para as mulheres viajantes. Ainda bem que mudamos, não é mesmo? Esperamos mudar ainda mais, ou seja, não precisar de dicas se segurança para viajar com tranquilidade.

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