Eu havia acabado de chegar no meu hostel em Puerto Princesa, depois de uma jornada de 10 horas que envolveu dois voos, uma espera desnecessariamente grande num aeroporto, e uma corrida rápida de tuk tuk, quando descobri que a minha viagem já iria começar com o pé esquerdo.

Quando planejei meu roteiro pelas Filipinas, uma das coisas que eu mais queria ver era o rio subterrâneo, uma das sete maravilhas naturais do mundo. Assim, a primeira coisa que eu fiz ao chegar no albergue foi reservar logo o passeio para o próximo dia pela manhã. Ou melhor, eu tentei reservar o passeio, mas acabei descobrindo que um tufão se aproximava e todos as excursões de barco haviam sido cancelados pelos próximos dias na região.

Eu juro que na hora eu queria matar alguém. Minhas férias mal tinham começado e tudo já estava dando errado. Claro que não foi a primeira vez que algo do tipo aconteceu enquanto eu estava viajando. Durante o meu mochilão do ano anterior, fui obrigada a lidar com diversas situações inesperadas.

Por alguma coincidência estranha, diversos pontos turísticos que eu fui visitar estavam em obras. Era só eu chegar no monumento, prédio, ou escultura para descobrir que estava tudo coberto (pelo menos parcialmente) por tapumes e andaimes. Foi assim com o famoso relógio de Praga, com a estátua de Murugan em Batu Caves na Malásia, e com a estupa dourada do palácio de Pha That Luang, um dos símbolos nacionais do Laos. Um banho de água fria atrás do outro.

Combo da decepção: O relógio de Praga, a estátua de Batu Caves, e o palácio Pha That Luang no Laos. Imagem: Analu Bento / acervo pessoal

Frustrações em viagem: não para por aí

Não consegui comprar a passagem de ônibus de múltiplos destinos no Vietnam porquê estava lá durante o ano novo chinês e por isso fui obrigada a comprar passagens individuais para cada cidade, aumentando um pouco os meus gastos com deslocamento.

Não consegui fazer a travessia de barco da Malásia para a Tailândia porque a temporada de chuvas ainda não havia acabado e por isso o barco não podia operar esse trecho. Não consegui chegar num templo em Luoyang porquê o ônibus que a internet me disse para pegar não existia mais e naquela pequena cidade da China não achei ninguém pra me dar uma informação em inglês. Não consegui visitar parte de uma montanha no Japão porque a trilha estava fechada por intensa atividade sísmica.

Enfim, imprevistos acontecem. Claro que para muita gente planejar cada detalhe é tão importante e prazeroso quanto a viagem em si (me incluo nesse grupo), mas se houve uma coisa que o mochilão me ensinou foi que nem tudo vai sair como o planejado, e tudo bem. Pode ser que seja até melhor. Pode ser que não. Mas o que você não pode é deixar que um pequeno detalhe estrague toda a experiência que você estava tão ansiosa para viver.

As coisas boas que acontecem nos imprevistos

Foi durante o trajeto de um ônubus aleatório no Vietnã, indo para uma cidade que se não fosse pelo problema com as passagens eu nem iria conhecer, que eu conheci a Juliana e acabamos virando companheiras de viagem por um mês. E a minha decepção quando cheguei à Batu Caves me levou a pagar por um passeio extra por uma das cavernas que foi uma experiência super legal (pelo menos para uma ex-bióloga).

Eu, Juliana e uns viajantes aleatórios em uma de nossas muitas aventuras pelo Vietnã. Imagem: Analu Bento / acervo pessoal

Além disso, há coisas que você só vai descobrir quando chegar no seu destino. Ninguém melhor que um local para te indicar aquele restaurante ótimo que não é pegadinha para turista. Nunca é demais conferir com outros viajantes que você encontra pelo caminho se aquele passeio vale a pena mesmo, e qual a melhor agência para contratar. Como dizia aquele famoso apresentador de TV que a minha avó não cansava de lembrar: “Quem não se comunica, se trumbica!”

Por isso, naquele dia, sem poder pegar o barco para conhecer o rio subterrâneo, eu apelei para o plano B e fiz o city tour por Puerto Princesa. Acabei indo parar numa fazenda de borboletas e usei o dinheiro que economizei com o outro passeio para me presentear com um almoço mais bacana.

Fazenda de borboletas em Puerto Princesa, Filipinas. Imagem: Analu Bento / acervo pessoal

Voltei para o hostel junto com a chuva e passei o resto da tarde lendo um livro na rede. Dois dias depois, as embarcações foram autorizadas a irem para a água, mas eu já estava em outra cidade, aproveitando a sombra e água fresca das praias filipinas.

Realizei meu sonho de conhecer uma das sete maravilhas do mundo natural? Não. Mas isso não fez da minha viagem menos incrível. Aliás, me deu uma ótima desculpa para, quem sabe um dia, voltar nas Filipinas.

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