Difícil de pronunciar, mas facinho de se apaixonar. Assim é Cumuruxatiba, uma cidadezinha encantadora do sul da Bahia. Cu-mu-ru-xa-ti-ba. Ou simplesmente Cumuru, para os íntimos.

Faz uns bons 10 anos que venho me apaixonando por Cumuru. Amigos meus descobriram esse pequeno paraíso em suas férias e voltaram encantados, contando todas as delícias de lá. Óbvio que esqueci de tudo, mas ficou no coração uma vontade permanente de ver tudo por mim mesma. Finalmente, consegui sanar meu desejo agora no inicinho de abril.

Não fui somente para lá. Eu e uma amiga, aproveitamos nossas férias curtinhas de 15 dias para relaxar bem relaxadinho em baiano mode. Fizemos Trancoso, Caraíva, Cumuruxatiba e Arraial d`Ajuda. Nessa ordem. Mas eu, como sou rebelde, vou começar pelo meio e contar a delícia que é Cumuruxatiba.

Ok, para chegar não foi tão delícia assim

Como estava em Caraíva, tivemos que pegar 4 – QUATRO  – ônibus até chegar em Cumuru. Acordamos às 4:30 para pegar o ônibus das 05:15 da madrugada que nos deixaria em um lugarzinho no meio do nada chamado Itabela. De Itabela, pegamos um outro ônibus para Itamaraju. De Itamaraju fomos para Prado e de Prado para Cumuruxatiba.

Está bem. Parece complicado, cansativo, mas a verdade é que, no final das contas, foi bem tranquilo. Dormi a viagem toda praticamente. De ônibus em ônibus não tem muito mistério: você vai lendo e dormindo, dormindo e lendo. Tudo muito de boa. Claro, tudo teria sido mais fácil de carro, bem mais objetivo, mas estávamos a pé. E foi ótimo.

Se estiver saindo de Porto Alegre, é só pegar um ônibus para Eunápolis e de lá para Itamaraju e depois um para Prado e Cumuru.  Descobrimos também que há agora um aeroporto em Teixeira de Freitas que fica pertinho de lá. Só pegar um ônibus ou alugar um carro.  Depois de uma longa peregrinação (foram umas 6 horas de loucas aventuras – lendo e dormindo, dormindo e lendo), avistamos a represa.

Pausa para falar da represa

 A represa é simplesmente maravilhosa. Fica na entradinha da cidade. Lembrando que Cumuru resume-se em uma rua, grande, ok, mas é somente uma rua e suas ruazinhas. A represa fica no número 1 da rua principal e é ela que faz as boas-vindas. Linda, magnífica, água limpíssima, temperatura da deusa. Não precisa nem falar das horas e horas que fiquei enrugando dentro dela. Para os que não dominam a arte do nado: era rasa. Acho que tinha profundidade de 1m20cm, talvez um pouquinho mais.

Fato é que rapidamente cheguei à decisão de não tomar mais banho em banheiro. Só tomar banho na represa. Água de rio. Água limpa. O cabelo fica ó-te-mo. E uma coisa muito interessante: pode-se realmente tomar banho lá. Assim que você chega na cidade, os moradores avisam que é permitido. Vi alguns trabalhadores tomando banho e lavando roupa lá. Teve um senhor que mergulhou, molhou a camisa e seguiu sua caminhada. Ele só precisava de um pouco de frescor antes de enfrentar uma longa caminhada pela estrada. Sorte que conseguiu uma carona rápido. Não tanta sorte para o motociclista que ofereceu: deve ter ficado todo molhado.

Além da represa, as praias que banham Cumuru são encantadoras. Dependendo do horário, a maré está baixinha. Dá para fazer aquela caminhada ou alugar uma bike e sair pedalando pela areia. Delícia. As praias são ainda cortadas por vários rios: Rio Peixe Pequeno, Rio Peixe Grande e outros  que só adicionam ao cenário pitoresco do lugar. Se afastando um pouco do centro, encontram-se falésias imponentes que adicionam um tom selvagem à paisagem.

Os quatro dias que passei lá acordava por volta de umas 9h, ia tomar café da manhã na padaria do Seu Manuel (ok, o nome do dono não era esse, mas o lugar tinha um quê de padaria de verdade, sabe?) Tinha aquele cheirinho de pão inebriante, aquele café coado… Ai ai.. Dá até água na boca só de pensar. E o bolo? Comi um bolo de bolo que tinha cobertura de farelo de bolo. Mastiguei vida. Depois da padaria era pegar a bike alugada a R$ 10 ao dia e sair pedalando até chegar em uma sombrinha para deixar as coisas e se perder no mar.

Ah, o mar de Cumuru…

            Pausa para falar do mar de Cumuru

 Simplesmente lindo, as praias cristalinas, os barquinhos estrategicamente ancorados para deixar a paisagem ainda mais única. A temperatura da água naquele misto de fresco-não-gelado-perfeito. Um sonho. E a paz. Simplesmente a paz do lugar. A certeza de segurança. A calmaria. O tempo estacionado.

Não há letra nem palavra suficiente para descrever Cumuru. Cumuruxatiba é daqueles lugares que se prova e se saboreia. Só assim se entende.

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