Decidiu que quer viajar para a China? Como atual moradora do país, sou um pouco suspeita para falar, mas tenho certeza que você não vai se arrepender. No entanto, convém avisar: este lado do mundo tem alguns aspectos bem diferentes do que estamos acostumados na porção ocidental do mundo e mesmo viajantes experientes podem ser pegos de surpresa. E como quem avisa amigo é, aí vão algumas dicas e conselhos para quem está pensando em passar as próximas férias por aqui:

Planejamento

Por mais que você seja um adepto ferrenho de um estilo de viagem mais espontâneo, livre, leve e solto, planejamento é fundamental antes de embarcar para a China. Como você já leu nesse post aqui, você precisa apresentar passagens aéreas e comprovantes de hospedagem ao fazer o pedido do visto.

Além disso, a China é longe pra burro (saindo do Brasil, não dá pra chegar aqui em menos de 25 horas de avião), a diferença de fuso horário é drástica e o país tem dimensões continentais. Para aproveitar bem a viagem procure reservar o máximo de tempo possível, para que você possa curtir com calma, principalmente nos primeiros dias quando o jet lag ainda estiver com força total.

 

Deslocamentos internos

A China é enorme e o que não falta é coisa para ver espalhadas por todo o seu território. A não ser que você venha visitar apenas uma cidade (o que eu sinceramente não aconselho), é preciso prestar bastante atenção aos deslocamentos internos. Por causa das grandes distâncias, pagar um pouco a mais para ir de avião ou trem-bala (quando essa é uma opção disponível) vai valer muito a pena.

Independente da forma de transporte que você escolher, para garantir os melhores preços e a disponibilidade de datas, é preciso comprar as passagens com bastante antecedência. Mas, existe uma inconveniência: os sites das empresas chinesas só aceitam pagamento feito por cartões emitidos na China, por isso você não vai conseguir efetuar o pagamento com o seu cartão internacional comprando pela internet. Você terá que apelar para um site “terceirizado” que faz a ponte para comprar a sua passagem, mas cobra uma pequena taxa. Existem alguns sites que fazem esse serviço, eu particularmente uso o Ctrip e até hoje não tive problemas.

É, mas não é

Hong Kong e Macau fazem parte da China, mas como regiões administrativas autônomas, não fazem parte da chamada “Mainland China”. O que isso significa? No que diz respeito a viagens, esses lugares não estão na China. Por exemplo, se o seu voo chega por Pequim, e de lá você pretende visitar Hong Kong e depois ir para Shangai, você precisa ter certeza que o seu visto é de mais de uma entrada, pois ao ir para Hong Kong você sai da China e entra de novo para ir a Shangai.

Aliás, brasileiros não precisam de visto para entrar em Macau e Hong Kong, e é inclusive possível tirar o visto de turismo chinês lá (o que eu só aconselho se você estiver numa viagem muito longa ou não tiver tido a oportunidade de tirá-lo no Brasil; é sempre melhor lidar com burocracia na sua língua nativa). A moeda, a língua, e muitos aspectos da cultura também são bem diferentes do restante da China. Portanto, se você pretende incluir Hong Kong ou Macau no seu roteiro, não esqueça desses detalhes.

Melhor época

Tem gente que prefere frio, tem gente que prefere calor, e eu não estou aqui para julgar ninguém. Apesar de muita gente recomendar que se evite os meses de julho e janeiro por causa dos extremos de calor e frio, se temperaturas negativas e calor de rachar não te assustam, pode vir sem medo. Mas evite a todo custo os períodos de feriado nacional.

Durante a Golden Week (que acontece em outubro) e o ano novo chinês (geralmente em fevereiro), o número de chineses viajando é de assustar. Todos os pontos turísticos ficam lotados e os preços de hospedagem e transporte vão às alturas. Como esses feriados não têm uma data fixa é bom consultar o calendário do ano para ter certeza que você não vai estar por aqui nesses períodos.

Comunicação

As tardes da sua infância passadas jogando Imagem e Ação com os seus primos vão se fazer valer neste momento. Ao contrário de outros países da Ásia, na China, a grande maioria das pessoas não fala inglês. Mesmo em hotéis, nem sempre os funcionários estão preparados para se comunicar com os hóspedes em uma língua que não seja o mandarim (ou têm um repertório em inglês bem limitado) e se o cardápio do restaurante tiver tradução para o inglês, pode apostar que o preço está acima da média.

Vamos ser realistas, o mandarim é uma língua com sons e tons bem diferentes do português e não dá para recomendar que alguém aprenda a língua antes de pôr os pés aqui só para fazer turismo. Mas é claro que é bom dar uma treinada em expressões que podem facilitar a sua vida como “nĭ hăo” (olá), “xiè xie” (obrigada) e a minha preferida “ tīng bù dǒng” (ouço, mas não entendo). Com isso, um pouco de inglês e uma boa mímica, tudo se resolve. E se tudo isso falhar, usar um aplicativo de tradução não irá ferir a sua dignidade.

 

Modos

Arrotos e escarradas são coisas comuns na China, por mais estranho que isso possa parecer para nós ocidentais. De acordo com a filosofia oriental, você não deve manter dentro de você o que o corpo está tentando colocar para fora, então eles arrotam e cospem pela rua sem a menor cerimônia. Crianças dificilmente usam fraldas e podem ser vistas se aliviando em qualquer lugar.

E não se engane, também pode ser que você cometa alguma gafe sem querer como, por exemplo, espetar os pauzinhos na tigela de comida ou tentar o clássico beijinho no rosto brasileiro ao ser apresentado a alguém. Portanto, tente relevar esses hábitos diferentes.

Banheiro

Começando pela parte boa, a oferta de banheiros públicos pela rua é surpreendente, com opções de fácil acesso e identificação tanto nas ruas quanto nas estações de metrô.  Foque bastante nesse ponto positivo antes de eu contar o resto.

Dificilmente você irá encontrar vasos sanitários como estamos acostumados (a não ser em hotéis e locais voltados para estrangeiros). O mais comum é o chamado “squatting toilet”, que é basicamente um buraco no chão. Eu juro que para quem não tem problemas de locomoção, ele é bem mais prático do que se imagina, e mesmo que a limpeza deixe a desejar, você não precisa encostar em nada para fazer as suas necessidades. Outra coisa é que papel higiênico é uma raridade, então carregue o seu na bolsa o tempo todo.

Internet

Talvez você já tenha ouvido falar que vários sites são bloqueados na China e não tenha acreditado, mas o chamado Great Firewall é real. Sites e aplicativos como Facebook, Google e Whatsapp não têm acesso permitido por aqui. Antes que você entre em pânico pensando em cancelar a viagem porque não vai conseguir postar sua foto no Instagram nem se comunicar com a família, eu trago a solução: use um VPN. Com um desses aplicativos (existem diversas opções gratuitas e pagas) a sua real localização é “mascarada” e você consegue acessar a internet de forma um pouco mais lenta que o normal, mas sem restrições. Baixe o VPN da sua preferência para o seu dispositivo antes de chegar por aqui e seja feliz!

Fique esperta!

Assim como em muitas outras cidades do mundo, é importante ter uma atenção especial com os taxistas chineses. Além do manjado golpe do caminho mais longo que pode acontecer em qualquer lugar do mundo onde você não conhece o trajeto, a troca do seu dinheiro por notas falsas acontece com certa frequência. Funciona assim: ao fim da corrida você entrega o dinheiro para o motorista, ele rapidamente e sem que você veja pega a sua nota verdadeira e devolve uma falsa dizendo que é a mesma e que ele não pode aceitar porque é falsa. Isso é bem comum com cédulas de 100 e de 50 yuans. É claro que nem todos os taxistas são assim, mas por via das dúvidas, tente sempre pagar com notas pequenas e de preferência no valor exato. Tenha com você também o endereço ou nome do lugar onde você quer ir escrito em chinês pois a grande maioria dos motoristas não fala inglês.

Ser estrangeiro

Uma coisa interessante sobre a China é que aqui a atração turística pode ser você! Principalmente nas cidades menores, não é incomum que chineses peçam para tirar uma foto sua ou com você, e às vezes te fotografam sem pedir na cara de pau mesmo. As chances de algo assim acontecer são maiores para pessoas loiras, ruivas, e negras, mas pode acontecer com qualquer um que não tenha características asiáticas. Então se prepare para viver os seus 15 minutos de fama por aqui!

 

Ficou curioso? Tem mais alguma dúvida em relação à China? Quer saber mais sobre algum tópico específico? Deixe um comentário aqui embaixo, pois mais textos sobre a China estão a caminho! Zài jiàn! Ou melhor, até mais!

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