Embora não seja o destino mais procurado por brasileiros, a Hungria está em 21º lugar no ranking dos melhores países para expatriados e em lugar no índice dos melhores custos de vida do mundo, ambos feitos por uma comunidade internacional de expatriados, o Internations. Confesso que, mesmo com esse ótimos índices, a Hungria nunca tinha passado pela minha cabeça como um possível lugar para morar. Até que uma história de amor bem inesperada me trouxe até aqui.

Estou morando em Budapeste e tem sido incrível em muitos aspectos. Nesse tempo, consegui aproveitar exemplos de outros estrangeiros que se sentiram  tão frustrados que optaram por simplesmente não se integrar, mas também os exemplos de diversas pessoas que gostam tanto daqui que já se sentem locais e não querem mais ir embora.

Quando a gente mora fora é bombardeada de tanta informação nova que dificilmente para pra pensar com calma em toda essa experiência.  Foi só um ano depois de pegar meu visto de residência que eu comecei a avaliar toda a minha experiência e cheguei a conclusão que deveria compartilhar com outras mulheres as impressões de uma brasileira morando em Budapeste. O resultado você confere abaixo!

A Barreira do Idioma

Sem dúvida essa é a parte que mais afeta qualquer expatriado. A língua húngara não é similar a nenhuma outra. Embora há quem diga que existe certa semelhança com o finlandês, mas isso não possibilita que os falantes dos dois idiomas realmente se entendam.

Como turista ninguém nunca realmente teve aquela expectativa de que eu pronunciasse qualquer palavra em húngaro, mas depois de um ano a cobrança aumentou exponencialmente.  Costumo dizer que húngaros são uma tribo que só vai aceitar um estrangeiro quando ele passar pelo ritual do idioma. No entanto, eles não esperam de verdade que você fale de maneira fluente da noite pro dia, mas é importante mostrar interesse, pois isso sim é testado.

Não vou negar que dá pra sobreviver falando inglês. Só que mais cedo ou mais tarde, a gente começa a sentir a necessidade de se integrar, o que é quase impossível sem falar a língua local. Perder a vergonha e botar na cabeça que ninguém nasce sabendo falar, nem mesmo o idioma materno, são dois fatores mais que essenciais pra superar qualquer barreira de idioma.

O Transporte Público


Não existe cobrador no ônibus, nem roleta. Aqui, a gente comprar um ticket numas maquininhas e valida assim que entra no transporte (nunca deixe pra depois, nem jogue o papel fora). Em relação a qualidade, considero o transporte bastante eficiente e inclusivo. Com exceção dos trams (bondinhos) mais antigos, é muito fácil se locomover pela cidade com um carrinho de bebê ou sendo cadeirante, ainda assim muitas pessoas se prontificam a ajudar.

Além disso, existe a integração da BKK (empresa responsável pelo transporte) com o Google Maps que facilita o planejamento da sua rota e evitando imprevistos. Para os mais atrasados, na hora do desespero dá até pra saber em tempo real onde tram está.

O Custo de vida em Budapeste

Budapeste é famosa por ser uma cidade barata e isso é verdade até certo ponto. Os salários aqui não são altos e os preços dos aluguéis se tornaram quase impraticáveis. Com isso, grande parte dos estrangeiros e até mesmo locais optam por dividir um apartamento.

O transporte é consideravelmente barato, sendo possível a compra de um passe mensal que garante o uso ilimitado de qualquer meio de transporte (salvo exceções dos barcos) por pouco mais de R$ 100.

De todos os fatores que definem o gasto mensal, a alimentação é o mais relativo. No entanto, considero essa parte também em conta. Fazer supermercado sai mais barato do que comer fora, mas existem opções para todos os orçamentos em diversos restaurantes que contam com os menus de almoço.

O clima pode ser seu maior inimigo

O inverno pode ser tão frio que você não sente vontade de sair, mas o verão pode ser tão quente que parece que a gente tá numa ilha tropical, só que sem a praia. Não saber lidar com isso é declarar guerra contra a natureza. Vestir-se em camadas ajuda a sobreviver em temperaturas de -20ºC e dizem que beber um pouco de álcool também. Em condições mais quentes, o importante é se manter hidratado, portanto é essencial carregar uma garrafinha d’água ou aproveitar algumas das fontes públicas.

Antes de me mudar, morei em Belém, mas foi só em Budapeste que eu realmente descobri como é ruim passar mal na rua por conta do calor,  pois é quem diria! O clima seco não é o melhor amigo de quem está acostumado a locais bem mais úmidos.

Quase desmaiei depois de uma corrida e fui socorrida por uma ambulância. Mas adivinha? Ninguém falava inglês. Por sorte, na semana anterior tive uma lição em húngaro sobre alguns problemas de saúde e doenças comuns, tipo gripe. Não desejo a ninguém esse perrengue que aconteceu comigo e é claro que poderia ter sido evitado.

Pra piorar a situação, como eu decidi ficar mais tempo na cidade esqueci de renovar o seguro-saúde e nesse dia ele já tinha expirado! É aí que entra a importância do tal seguro: a gente sempre acha que nunca vai precisar, mas basta uma experiência ruim pra lembrar dele pra sempre.

Nem sempre os feriados significam folgas

Na minha primeira entrevista de emprego esse detalhe foi uma das primeiras coisas que me avisaram. Quando você trabalha em uma multinacional que lida com clientes de outros países como Portugal, por exemplo, se considera os dias que são feriados aqui e os que são feriados lá.

Se não houver um feriado comum (ex: 1º de Maio), ele pode ser tomado como um dia normal de trabalho que mais tarde será compensado numa outra data de sua preferência, digamos. Outro caso também é o feriado ser respeitado, mas a pessoa deve trabalhar no sábado mais próximo.

Os banhos termais raramente viram rotina

Eu imaginava que seria uma frequentadora assídua do meu spa favorito. Comprar aqueles pacotes semestrais já fazia parte da minha wishlist. Apesar de tentador, a gente acaba se acomodando e não dando valor a coisas que outras pessoas adorariam ter se lhes fosse dada a oportunidade. Pra falar a verdade, eu sequer lembro a última vez que fui a uma terma. Uma pena, realmente faz falta depois de uma corrida intensa ou um dia estressante.

 

Tudo é uma questão de perspectiva

Morar no exterior é sempre um desafio e por mais que antes de se mudar a gente leia bastante e já se sinta familiarizado com o próximo destino, a adaptação a um local diferente mais cedo ou mais tarde gera algum choque. Às vezes as coisas ficam tão frustrantes que a gente só consegue ter uma visão pessimista do que pode acontecer e pensa – vale a pena passar por isso?. Eu me pergunto sempre.

No entanto, existem muitos motivos pra gente sonhar em comprar uma passagem só de ida e começar tudo do zero em outro país. Nos nossos planos pode ser algo temporário – fazer um pé de meia e depois voltar ao Brasil –  mas pode acontecer de a gente gostar tanto que acaba ficando pra sempre. Qualquer que seja a sua meta, a única garantia é de que você nunca mais vai ver as coisas da mesma maneira que via antes.

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