Ah, a Tailândia. O único país do Sudeste Asiático que nunca foi colonizado por uma potência europeia e, de acordo com as minhas próprias estatísticas, o atual sonho de consumo de 8 em cada 10 viajantes brasileiros. No entanto, é uma pena que Bangkok, capital do país e um importante hub de voos internacionais da região, seja comumente ignorada por tantos viajantes que acabam passando por lá apenas a caminho de algum outro destino e não aproveitem tudo o que a cidade tem a oferecer. Então aqui vão algumas dicas de programas que você não pode deixar de fazer caso esteja na cidade (mesmo que apenas de passagem).

  • A tríade imperdível: Grand Palace, Wat Pho e Wat Arun

Os pontos turísticos mais famosos de Bangkok são o sonho de qualquer turista. Além de impressionantes, ficam um ao lado do outro e é possível visitar os três, em um dia sem correria, e ainda vai dar tempo de incluir mais algum programa no roteiro.

O Grand Palace, como o nome já sugere, era a residência oficial do rei até o início do século XX. Hoje em dia, o complexo abriga templos, prédios administrativos, e ainda é palco de importantes cerimônias. Por exemplo, depois da morte do rei  Bhumibol Adulyadej, um número impressionante de tailandeses se dirigia ao palácio diariamente para prestar homenagens ao monarca em frente ao Buda de Esmeralda.

Já o Wat Pho, localizado perto o bastante do palácio, dá para se chegar lá em menos de 10 minutos de caminhada, é o templo que abriga o Buda Reclinado. A estátua possui 46 metros de comprimento e é folheada a ouro. Além de passar muito tempo tentando fotografar a estátua (por causa das suas dimensões e das colunas do templo, não é uma tarefa muito fácil), não deixe de perambular pelo resto do complexo para apreciar a arquitetura tipicamente tailandesa.

Depois do Wat Pho, é fácil chegar até o Wat Arun. Ele está localizado bem em frente, do outro lado do rio. Basta pegar um barco no pier e em 5 minutos você está lá. Também conhecido como Templo do Amanhecer, o Wat Arun é visualmente um pouco diferente dos demais templos que você se acostuma a ver na Tailândia. Por isso, vale muito a pena uma passada por ele para admirar sua estrutura clara lindamente decorada com relevos coloridos.

É importante lembrar que nesses locais, assim como em qualquer local religioso da Tailândia, é preciso se vestir de forma adequada. Mulheres e homens devem ter os ombros e joelhos cobertos e roupas apertadas (como leggings, por exemplo) não são toleradas.

Parte das construções douradas e reluzentes do Grand Palace. Imagem: Analu Bento/ acervo pessoal

 

  • Jim Thompsom House

Esse é um passeio para encantar amantes de arquitetura. Jim Thompson foi um americano que se estabeleceu na Tailândia e prosperou como exportador de seda tailandesa para o ocidente no fim dos anos 40. Tendo estudado arquitetura e sendo um ávido colecionador de antiguidades, ele trouxe estruturas de outras partes do país para construir sua casa em Bangkok. Após anos de sucesso comercial, ele simplesmente desapareceu sem deixar rastros na Malásia. Hoje em dia, sua casa se tornou um museu recheado de obras de arte asiáticas.

O ingresso inclui um tour guiado que pode ser feito em inglês, francês ou espanhol. Antes ou depois do tour, você pode caminhar pelo jardim, única área onde é permitido que se tire fotos. No local há também uma galeria de arte com entrada franca e um restaurante para os dispostos a gastar um pouco mais.

A tranquilidade do jardim na Jim Thompson House. Imagem: Analu Bento / acervo pessoal

  • Ver o por do sol do Wat Saket

Existem muitos templos a serem visitados em Bangkok, mas a melhor pedida para o fim de tarde com certeza é o Wat Saket. O Monte Dourado fica no topo de uma colina e a subida pelos seus 300 degraus é fácil e recheada de estátuas e cantinhos bacanas para fotografar. Lá de cima é possível ter uma vista de 360⁰ da cidade e postar suas fotos na mesma hora graças ao wifi grátis.

Parte da vista de cima do Wat Saket. Imagem: Analu Bento / acervo pessoal

 

  • Usar um barco para se locomover

Tecnicamente falando, mesmo o transporte hidroviário sendo uma importante parte do sistema de transporte público de Bangkok, você não é obrigado a pegar um barco se não quiser. Mas eu garanto que a experiência deixará a sua viagem mais rica.

Você pode optar por um barco privado, um barco de turismo confortável que para apenas nos locais de interesse para visitantes, ou um barco comum que funciona como qualquer ônibus. Nesses barcos você não encontrará apenas turistas, mas também os locais fazendo os seus deslocamentos diários. Seja qual for a sua escolha, o passeio irá proporcionar um ângulo totalmente diferente da cidade.

Fim de tarde num dos barcos que fazem o trajeto diário no rio Chao Phraya. Imagem: Analu Bento / acervo pessoal

  • Curtir a noite

Independente do seu estilo ou situação financeira, Bangkok tem uma opção para você. Um dos programas mais disputados é tomar uns bons drinks em um dos muitos rooftop bars espalhados pela cidade. Dentre os mais famosos deles, estão o Vertigo e o Sky Bar (que ficou famoso por aparecer no filme Se Beber Não Case 2). É bom lembrar que é preciso estar “arrumadinho” para entrar nesses lugares ou existe a possibilidade de ser barrado na entrada. Além disso, os preços do cardápio acompanham o nível de sofisticação desses locais.

Mas se você faz mais o estilo “mochileiro com recursos limitados” e está a fim de festejar até o sol raiar, a Khaosan Road é o lugar. São inúmeras opções de restaurantes, bares, agências de turismo, estúdios de tatuagem de qualidade duvidosa, lojas de produtos made in China e hordas de jovens estrangeiros dançando e bebendo como se não houvesse amanhã. É praticamente a versão mochileira do carnaval carioca que rola o ano inteiro. Portanto pegue o seu drink no baldinho de praia numa mão e um escorpião no palito na outra e seja feliz!

 

  • Conhecer a Chinatown

São muitas as Chinatowns espalhadas pelo mundo, mas a de Bangkok tem um charme especial. A visita pode começar pelo seu templo, o Wat Traimit, que abriga o maior buda sentado de ouro maciço do mundo. Vale a pena comprar o ingresso que dá acesso também ao museu do templo e da própria Chinatown. Depois de aprender tudo sobre o bairro, aventure-se pelas ruas, experimente a culinária local (meio chinesa, meio tailandesa) e compre muitas lembrancinhas a preços camaradas.

Os letreiro iluminados de Chinatown. Imagem: Analu Bento / acervo pessoal

  • Fazer a louca das compras

O que não falta é opção para quem quer voltar de viagem com a mala recheada de bugigangas. Para os mais tradicionais, existem shopping para todos os gostos. Os principais deles ficam no bairro de Siam: o Siam Center tem uma vibe jovem e moderna; o Siam Paragon é mais conceitual, cheio de figurinos dignos da Lady Gaga; o Siam Discovery é pequeno, mas com bastante coisa interessante para se ver, aliás, nele está localizado a filial tailandesa do Museu Madame Tussauds; há também o maior deles, o MBK Center, onde é fácil se perder no meio das lojinhas que mais parecem um mercadão do que um shopping como estamos acostumados (aliás, é bom ficar atento porque há muito produto “réplica” passando por original).

Ainda em Siam, mas um pouco mais distante dos outros está o Central Wold, o maior shopping da Tailândia. Lá é possível encontrar grandes marcas internacionais e sempre há algum evento acontecendo nos fins de semana. Mas no quesito shopping  o meu preferido é o Terminal 21, onde cada andar é decorado para refletir uma cidade do mundo e nem os banheiros são deixados de fora da onda temática. É o melhor lugar para conhecer marcas locais pequenas e os preços são em geral bem legais.

Decoração do andar dedicado à Londres no Terminal 21. Imagem: Analu Bento / acervo pessoal

Para quem quer uma experiência um pouco diferente, pode optar pelo Asiatique. Ele funciona a partir das 17:00 nos moldes de um bazar noturno. Diversas pequenas boutiques e restaurantes oferecem um ambiente agradável as margens do rio Chao Phraya.

Mas para quem está em busca de um programa mais autêntico e está na cidade durante o final de semana. A melhor opção é o Chatuchak Weekend Market. O gigantesco mercado possui mais de 8000 barracas e em seu ambiente labiríntico é possível encontrar de tudo um pouco. É um ótimo lugar para barganhar por souvenires e provar da culinária local. E se o calor opressor começar a te incomodar, você pode relaxar no parque ao lado do mercado onde muitas famílias tailandesas fazem piqueniques.

Exitem ainda os bate-e-volta para cidades próximas que valem muito a pena como conhecer Ayutthaya, a antiga capital do reino de Sião, ou o famoso mercado flutuante de Damnoen Saduak. Ou seja, o que não faltam são razões para prolongar a sua estadia em Bangkok.

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