Fui pela primeira primeira vez em Areia, na Paraíba, quando tinha três anos de idade. O motivo da minha ida era mudança: meus pais, lá por meados dos anos 1990, decidiram tentar vida no brejo, que fica do outro lado do estado, mas desistiram três dias depois afirmando desencanto pela cidade e, assim, regressamos para o agreste.

Muitos anos se passaram e só em 2014 eu regressei a Areia. Fiz uma viagem curta, com amigos. Tomamos cachaça pelas calçadas (algo que não falta na cidade, já que estão localizados em Areia os maiores engenhos de cachaça do estado) e tiramos fotos nas mais lindas casas coloridas no centro da cidade, que é completamente tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

O IPHAN tombou 420 casas no centro da cidade pelo seu valor histórico, tendo em vista de que o município foi cenário para grandes avanços na história do estado. O primeiro Teatro, a primeira Universidade, as primeiras negociações de algodão, por exemplo, foram feitas em Areia, que era o principal polo de comércio no final do XVIII até o início do século XX, perdendo espaço, posteriormente, para a cidade de João Pessoa , atualmente a capital do estado.

A cidade podia muito bem ter sido cenário de alguma série ou novela produzida por Luiz Fernando Carvalho: ela é linda, é lúdica. No inverno, faz um friozinho que é difícil de chegar aqui na PB, uns 13 graus que, para quem só recebe sol nas costas, é clima de bater os dentes.

Casarão José Rufino: história e viagem no tempo

 

Imagem: Mariana Sales no casarão José Rufino / acervo pessoal.

 

Em outra ida, no ano de 2015, pude visitar o Casarão José Rufino, um lugar que apresenta diversos detalhes do passado, como móveis, objetos, pinturas e muitas outras marcas das pessoas que ali moravam, trazendo a sensação de viagem no tempo para aqueles que percorrem seus corredores. No entanto, o Casarão não nos traz apenas lembranças boas: é também possível ver a senzala, lugar que representa a dor dos escravos que ali viveram. Mas, já falou Ricoeur da importância do dever de memória:

“não se deve esquecer as dores em outrora vividas, mas sim, lembrá-las para que não se repitam”.

 

Imagem: Mariana Sales no casarão José Rufino / acervo pessoal.

O que mais me surpreendeu nesse Casarão foi o terraço, lugar aos fundos com uma escadaria em pedra, que levava a um plano mais baixo, protegido por uma balaustrada também de pedra. No espaço, vemos um lindo campo verde com pequenas montanhas, que são bem características da região, proporcionando uma vista linda. A Paraíba é uma beleza.

Há quem diga que a preservação da arquitetura histórica de Areia impede a cidade de crescer, já que, se comparada a João Pessoa, Areia parou no tempo e isso é ruim… bem, eu não vejo problema nenhum nisso: sempre gosto de ir por lá e dar umas voltas no passado.

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