WWOOF: uma oportunidade para se relacionar com a cultura rural

Acompanhei de perto a criação de ovelhas e cordeiros. (Estela Alves/acervo pessoal)

Você gosta de fazenda, de produtos orgânicos e sustentáveis, de meter a mão na terra? Você gosta de viajar gastando pouco dinheiro? Topa um work exchange? Então você tem que fazer um WWOOF! Quê? Isso mesmo, WWOOF! World-Wide Opportunities on Organic Farms, que em português seria “oportunidades mundiais em fazendas orgânicas”! Legal, mas o que é work exchange? Como funciona esse WWOOF?

Work Exchange é quando você troca trabalho por hospedagem e alimentação. Muitos mochileiros utilizam esse recurso para viajar e ter pouca despesa. Existem várias plataformas, como o Worldpackers, Workaway, WWOOF, etc.  

Diferentemente das outras plataformas, que têm trabalho em diversas vertentes, de hospedagem, restauração, projetos sociais, comunitários e ecológicos, o WWOOF concentra-se no mundo rural e orgânico, que eu particularmente A-DO-RO! Sinto uma necessidade de saber mais como as coisas são plantadas, colhidas, criadas, do contato com a natureza, com os alimentos e com a terra.

Colhi castanhas portuguesas, depois fizemos tipo uma geleia para venda e assamos algumas para consumo próprio.

Fui criada em grandes cidades e esse mundo rural ainda é muito desconhecido. Alguns amigos haviam me falado que haviam feito um WWOOF e logo de cara me interessei, justamente pelo contato com a natureza e com a terra. Estava na França, perto de Toulouse, e tinha duas semanas livres, então decidi encarar a experiência e achei incrível. Ficou interessada? Continua lendo que vou explicar como fazer para participar.

Como escolher uma fazenda pelo WWOOF?

  1. Escolha um país pelo site mundial do WWWOF (http://wwoof.net/).
  2. Pague a inscrição do WWOOF do país desejado.
  3. Comece a busca! Mande e-mails ou telefone para as fazendas que você se interessou. (Talvez por e-mail demore um pouco mais o retorno, fazendeiros não são super conectados. Então, programe-se.)
  4. Procure fazendas que tenham comentários de outros WWOOFers (pessoas que fazem WWOOF) no próprio site local do WWOOF (o site francês tem!). Alguns sites de determinados países ainda não têm esse recurso de adicionar comentários. Nesse caso, procure fazendas que tenham site ou página no Facebook. Dá uma certa segurança inicial.
  5. Faça uma pequena entrevista com seu hóspede, pergunte tudo o que quiser, o que eles produzem, qual o tamanho da fazenda, como é a família, o acesso à fazenda, como é o quarto, se é dividido ou não, se vai ter outros WWOOFers, se tem internet…
  6. Se você quiser, você pode pedir o contato de antigos WWOOFers como referência e perguntá-los como foi a experiência na fazenda em questão.

Colhi castanhas portuguesas, depois fizemos tipo uma geleia para venda e assamos algumas para consumo próprio.

Por que fazer WWOOF?

1-Viajar com baixo custo. O único custo que você vai ter é com o transporte até a fazenda.

2-Conhecer de verdade outra cultura, ter contato com o simples e com a natureza. Meus hóspedes na França tiveram muita paciência de me ensinar e mostrar tudo, até cozinharam comidas típicas para mim e mostraram a região nos finais de semana. Eles me perguntavam muita coisa sobre o Brasil, a cultura, o clima, a política. Fiz um bolo de cenoura com cobertura de chocolate para eles e foi um sucesso. Uma troca muito positiva. Sinto que em viagens do tipo “ficar em hostel e conhecer pontos turísticos” (que é legal também) se tem um outro tipo de contato com a cultura, mas ligada ao turismo de massa, ao hábito de tirar selfies e ao famoso verbo “turistar”.

3-Contato com outra língua, sem escapatórias. Na minha experiência, tive que falar francês 100% do tempo, o que é uma maneira muita boa para aprimorar uma língua e aprender vocabulário novo sem gastar grana. Às vezes, quando fazemos intercâmbio, caímos numa panelinha de brasileiros ou estrangeiros e falamos só português ou inglês.

4-Contato com a produção de alimentos naturais e orgânicos. Hoje em dia, vejo que a gente “da cidade” sabe muito pouco sobre agropecuária e como os alimentos que comemos são produzidos. Sobre isso, eu me lembro do filme “Capitão Fantástico” (se vocês ainda não viram, VEJAM!). O filme fala de uma família criada na floresta que planta, caça, colhe, cria. Quando eles vão para cidade, uma das crianças pergunta para tia na mesa de jantar: “Tia, como você matou esse frango?” A tia não soube responder. Ou seja, comemos coisas que nem imaginamos como foram produzidas, somos analfabetos rurais. Essa questão é para mim cada vez mais grave e o WWOOF nos ajuda a nos reaproximar da natureza, da comunidade e da cultura rural.

O que pode dar errado?

Apesar de ser relativamente raro, alguns amigos meus já me relataram algumas fazendas que buscam simplesmente mão de obra barata, sem um cuidado com as trocas culturais e a rotatividade de atividades. Ou seja, você faz sempre a mesma coisa por horas, sem nenhum contato com os locais.

Por outro lado, os meus hóspedes franceses me relataram o contrário. Eles receberam pessoas que não estavam dispostas a interagir, aprender, trocar; só queriam, comer, beber e dormir. Ou seja, mochileiros folgados que queriam comida e cama fácil. É claro que de certa forma a fazenda conta com os WWOOFers para a sua produção, é sempre uma ajuda, uma colaboração. A família é pequena, não tem nenhum empregado fixo, porém eles ainda estão dispostos a “agradar”, interagir, ensinar e aprender. É uma relação muito comunitária.

Se vocês quiserem ver e saber mais, eu fiz alguns vídeos no meu canal do Youtube sobre a minha experiência no WWOOF na França. Eu mostrei o que eu fiz, a família, a fazenda, os animais. Eu adorei e recomendo muito! Para acessar, clique AQUI

E vocês, já fizeram WWOOFing? Têm vontade? Eu estou querendo fazer aqui no Brasil, alguém já fez?

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Estela Alves
Arquiteta, bailarina, nadadora amadora, professora de francês e youtuber. Começou um canal no Youtube "Estela Viaja" com enfoque em viagens low cost e mulheres que viajam sozinha para incentivar, facilitar e dar dicas para mulheres que querem viajar.

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