Viajar sozinha e solidão

Imagem: Pexels

O texto é um texto de pretexto para fugir. Há alguns dias eu estou viajando sozinha. É a segunda vez que faço isso e, dada a experiência, me sinto mais confiante. Primeiro, não viajo de fato sozinha, sempre converso com alguém seja humano ou animal. Então eu, particularmente, estou sempre falando.

Fico em silêncio também, mas o barulho do dia ensurdece, preenche… sempre “existe” algo. Contudo, o silêncio da noite somado ao vazio do quarto, é perturbador. Eu cheguei em Chile-Chico às 21h. Não faço a menor ideia do que tem na cidade e não sei muito bem a minha localização. Cheguei onde estou por sorte e por boas almas no caminho, mas elas se foram, ou ficaram, para as suas casas e familiares. Eu fui.

Me hospedei em um Hostel que só tem eu de hóspede. A dona, é a Dona Yolanda. Eu tentei falar com ela, mas todas às vezes que a mesma me apareceu, eu levei um susto, é sempre de repente. Bom, estou num quarto compartilhado que virou privado. É bem bom, mas às vezes bate a solidão.

Quando a solidão entra sem avisar…

 É duro lidar. Você tenta de tudo: música, mandar mensagens, publicar no Facebook/Instagram, ler ou escrever… Não adianta, quando a bicha chega, ela quer entrar.

A solidão não é de todo ruim. Você aprende com ela. Você aprende a se reconectar e lembrar o que realmente importa na vida. Quem realmente importa. Quem realmente faz falta e quem você queria que “estivesse aqui”. Não é qualquer pessoa.

Não viajo para fugir da vida, não viajo sozinha por não ter ninguém (também), mas optei por estar só. Foi uma escolha. Esse vazio em mim não existe. Eu, felizmente, sou muito “preenchida” de pessoas maravilhosas que eu posso contar e sou muito feliz por isso.

Mas a solidão vem. Mas vem dessa forma pra lembrar o que o “Supertramp” disse, “alegria mesmo, é alegria compartilhada”, e eu concordo! Mas como já disse: não é qualquer pessoa. Não é estar rodeado de pessoas. Se assim fosse, eu seria feliz dentro da linha 11. 

Em algum momento eu sabia que ela iria aparecer. Assim como aconteceu na Bolívia. Eu já tive esse sentimento antes. É triste, mas é preciso. E fica pior quando o lugar é frio. O frio deprime, mas o meu “pior” é porque essa senhora solidão bate na minha cara e diz quem eu sou de verdade.

É difícil lidar com nós mesmos. É difícil ouvir o inconsciente. É difícil aceitar quem nós somos. É difícil saber que tenho defeitos. A solidão pra mim é um espelho e, talvez, as pessoas que mais fazem falta nesse momento são aquelas que realmente sabem que eu sou.

A solidão pra mim serve para eu saber como estou por dentro. Se estou completa comigo mesma antes de estar bem com qualquer pessoa. Fico feliz de saber que amo e sou amada, mas fico feliz ainda mais em saber se eu amo a mim mesmo.

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Fernanda Durazzo
24 anos, internacionalista e libriana (mas meu ascendente em sagitário que grita por viagens). Apaixonada pela cultura latino-americana e uma andarilha incansável. Sigo por aí buscando pessoas e histórias diferentes.

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