Sim, é possível viajar sem despachar bagagem

Imagem: Pexels

A minha muito esperada viagem para as Filipinas contou com um obstáculo do qual eu só me dei conta uma semana antes do embarque: a mala (ou no caso, a falta dela). Explico: atualmente eu moro em Beijing e vim para cá entulhando tudo que eu podia em uma mala grande e uma mochila pequena de dia a dia que eu uso para tudo.

Como estava aproveitando o recesso do ano novo chinês, seria uma viagem relativamente curta, para um lugar quente, com deslocamentos desconfortáveis de van e barco, e voos operados por companhias aéreas low cost. Ou seja, tudo conspirava para que a mala fosse deixada para trás. E como não havia tempo nem dinheiro sobrando para investir numa mochila maior, minha única saída era me virar com os 27 litros de capacidade da mochila que eu já tinha.

Depois de longas horas analisando o que eu tinha no armário, e tendo em mente que eu iria passar 12 dias na praia e enfrentar uma diferença térmica de aproximadamente 25 graus, cheguei enfim a um veredito sobre o que iria na mochila: 1 toalha de microfibra, 1 bolsa de praia, 2 biquínis, 3 shorts, 1 pijama, 1 sutiã, 4 calcinhas, 1 par de chinelos, 2 pares de meias, 2 blusas de alça, 4 camisetas, uma necessaire com remédios e acessórios e outra com artigos de higiene pessoal (tudo em frascos de 100ml).

Sim, tudo isso coube na mochila junto com câmera e carregadores. E como eu não pretendia congelar a caminho do aeroporto, vesti minha meia calça térmica por baixo da calça jeans, tênis, camiseta, blusa xadrez de manga comprida, moletom, casaco e fiz a minha canga de cachecol (viva a versatilidade!).

Tudo o que coube milagrosamente dentro de uma mochila com capacidade de 27 litros. Imagem: Analu Bento / acervo pessoal

Algumas vantagens de viajar sem despachar bagagem 

Percebi a primeira vantagem de se viajar com pouco antes mesmo de aterrizar no meu destino. Chegar ao aeroporto de transporte público foi bem fácil sem ter que rebocar a mala de rodinhas para cima e para baixo, mesmo tudo estando mais cheio que o normal por estarmos nas vésperas de um feriado. E claro, o check-in foi feito de forma bem mais rápida do que estou acostumada.

Já enquanto estive viajando, não tinha que me preocupar se a companhia aérea iria perder minha mala, ou se ela caberia no locker do hostel. Fui constantemente agraciada por exclamações de admiração de outros viajantes acerca do tamanho da minha bagagem e ainda economizei nos souvenirs, afinal não havia muito espaço sobrando para nada maior do que brincos.

Atenção para o tamanho da mochila e para a versatilidade da canga/cachecol. Imagem: Analu Bento / acervo pessoal

 

Algumas desvantagens de viajar sem despachar bagagem

É bem verdade que nem tudo são flores. Não preciso nem dizer que repeti bastante os modelitos e, claro, tive que apelar para um serviço de lavanderia no meio do caminho. O ataque dos mosquitos e a ação desastrosa da água salgada no meu cabelo já ressecado fizeram com que eu tivesse que renovar o meu estoque de produtos pagando preços para turista.

É óbvio que nem sempre é possível viajar com tão pouco, seja pelo destino escolhido ou pela duração da viagem, mas em tempos de novas regras sobre bagagem no Brasil, é importante que a gente repense as nossas escolhas e perceba que não é preciso carregar mais que o estritamente necessário quando se está de férias, e repetir roupa não é nenhum fim do mundo.

O que começou como um obstáculo acabou mudando totalmente a minha visão sobre fazer as malas antes de uma viagem, e se eu já era econômica no que eu levava antes, agora não quero mais saber de despachar malas novamente. Enquanto for viável, viajar leve é o meu novo lema.

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Analu Bento
Rainha da contradição. Adora adjetivos que começam com pseudo. Viciada em cinema e seriados. Em constante procura por bandas que ninguém mais conhece. Bióloga que virou English teacher. Estranhamente obcecada por caveiras. Mochileira por vocação. Blogueira de ocasião. Carioca da clara. No momento, tentando escrever para o M pelo Mundo e Crônicas de uma Pessoa Comum, enquanto faz o possível para sobreviver em Pequim sem falar chinês. Analu Bento, muito prazer.

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