Viajar pela América Latina é se sentir pertencida

Crédito: Fernanda Durazzo / acervo pessoal

Que me perdoem os amantes de outras regiões do mundo, mas a América Latina tem um lugarzinho especial no meu coração, e como bem disse o Belchior: “Tenho vinte e cinco anos/De sonho e de sangue/E de América do Sul/Por força deste destino/Um tango argentino/Me vai bem melhor que um blues”.

Viajar por aqui é sentir-se pertencido. Pertencido a um lugar rico em história, cultura e em recursos naturais. Viajar pela América Latina é respirar a magia do passado, a força do presente e sonho de um futuro melhor para os povos que aqui habitam. É observar como somos diferentes, mas paradoxalmente, tão iguais. Um povo de luta e resistência na preservação de sua cultura, pela democracia e por uma sociedade mais justa.

A região tem 21.060.501km² de área territorial. Somos “latino-americanos” dada a origem dos nossos idiomas – português e espanhol – oriundo do latim. Há vários outros aspectos em comum entre os países que fazem parte dessa latinidade. Na política: um passado colonial em comum; a maioria das nações serviram a metrópole. No aspecto econômico, concentração de terras, concentração de riquezas e desigualdade social. E na cultura, resistência dos povos indígenas.

As semelhanças dos países latinos

Quando viajamos pelos países que foram colonizados pela Espanha, ao caminhar pelas cidades, observamos várias semelhanças entre esses países, e, a principal, as Praças de Armas. Todos os países aos quais conheci tinham uma praça famosa. Ali os habitantes sentam, conversam, tiram fotos em família, descansam… Utilizam agora um espaço que antes servia de concentração aos soldados para lançarem um contra-ataque em caso de o inimigo reagir, como uma concentração para o bem-estar.

Crédito: Fernanda Durazzo / acervo pessoal

Quantas e quantas vezes eu mesma caminhando por Arequipa, Potosí, Cusco, La Paz e por outras cidades, me aconchegava num dos banquinhos sujos com cocô de pombas, que também são bem-vindas, visto que os frequentadores das praças jogam milhos para os bichinhos, para tomar um suco de laranja feito na hora pelos vendedores de suco que perambula pela cidade. Quantas e quantas vezes não parei numa dessas praças só para olhar o mapa, ou somente para sentar e respirar o mesmo ar que os povos dali.

Por último e não menos importante e que nos – nós mulheres – interessa e muito: as mulheres da América Latina estão cada vez mais no enfrentamento contra o machismo. O movimento “Ni una menos” está cada vez mais forte e existem boatos que uma nova “revolução” feminista comece por aqui, e eu, sinceramente, não me assusto se vir a acontecer. Para nós mulheres que tememos pelas nossas vidas, eu digo a vocês, embora os riscos ainda existam, nós aqui, também somos protegidas. Uma com as outras e aos poucos essa região será tomada por nós, se já não está. Viajar por aqui é recarregar as energias, recarregar o sentimento de luta. E eu acho que é por isso que sou tão apaixonada por tudo isso. Viva a América Latina!

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Fernanda Durazzo
24 anos, internacionalista e libriana (mas meu ascendente em sagitário que grita por viagens). Apaixonada pela cultura latino-americana e uma andarilha incansável. Sigo por aí buscando pessoas e histórias diferentes.

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