O que descobri sobre ser uma viajante solo na minha viagem para o Japão

Japão. Imagem: Natália Souza / acervo pessoal

Visitar o Japão sempre foi o meu sonho. Desde pequena, admirava a cultura, as tradições e todas as diferenças culturais que faziam do Japão um destino curiosíssimo. Em setembro de 2017, tive a oportunidade de passar 18 dias viajando pelo país. 

Por ser um local tão diferente, fiquei apreensiva. Como iria me comunicar com as pessoas? Aprendi algumas palavras e frases básicas em japonês, mas se precisasse ler alguma coisa elas não serviriam de nada. Como iria encontrar endereços? Me locomover com o transporte público? Pedir informação?

Levei comigo todos esses questionamentos, os quais apenas foram respondidos quando meu avião pousou em Tóquio. Atordoada após 11 horas de viagem, me vi pegando a linha de metrô – a Skyliner – que levaria até o centro da cidade. Até hoje não me lembro dos meus passos exatos. Apenas sei que consegui chegar sã e salva no hostel quase duas horas depois.

Ser uma viajante solo: quando cheguei lá…

Japão. Imagem: Natália Souza / acervo pessoal

Minha primeira impressão foi o silêncio. Era noite e eu imaginava Tóquio pulsando com vida e música, como é mostrada nos filmes. Na verdade, os japoneses valorizam muito o silêncio. Consegui achar meu caminho graças a um excelente serviço feito especialmente para turistas: o wi-fi portátil, que adquiri na empresa Japan Wireless para o tempo da viagem. Obrigada japoneses por pensarem em tudo!

Graças a este aparelhinho, minha viagem foi beeeem tranquila. É quase impossível para quem não lê japonês se locomover a pé, utilizando apenas a orientação de placas. Ter o Google Maps e o Google Tradutor sempre em mãos ajudou muito.

Me deslumbrei com a paisagem, a culinária e a cultura japonesa. Todos os locais são extremamente limpos e organizados. A comunicação nunca foi um problema. Nas estações de trem, os funcionários arranham um inglês básico. O serviço em restaurantes e lojas é excepcional. Ninguém espera que um turista seja fluente no idioma. Fazer mímica, sorrir e fazer uma reverência educada valem tanto quanto pronúncias perfeitas. Acredite!

O Japão é um país de viajantes solos

Japão. Imagem: Natália Souza / acervo pessoal

A coisa mais surpreendente para mim foi a quantidade de mulheres desacompanhadas viajando pelo país. Conheci uma inglesa em Quioto que aproveitou as férias da faculdade para conhecer o país. Duas americanas animadíssimas me levaram para tomar café da manhã em um restaurante a duas quadras do hostel. Uma delas tinha passado três meses fazendo voluntariado em Cingapura e a outra embarcaria para outros países asiáticos depois do Japão. Conversei com uma taiwanesa que fazia intercâmbio de um ano em um hostel.

Mulheres viajantes, sozinhas ou com amigas, estavam por todos os cantos – pontos turísticos, avenidas principais, restaurantes, cafés e hostels. Vi muitas mulheres puxando suas malas de rodinhas pelas ruas, apenas com um mapa na mão.

Com exceção das viagens entre as cidades ou locais distantes, fiz tudo a pé e não me senti ameaçada. Me senti segura mesmo estando sozinha, mesmo andando à noite, mesmo me metendo em becos. As únicas vezes em que fui abordada por desconhecidos foi para receber ajuda para me localizar – sim, mesmo não falando japonês!

Fiquei extremamente feliz de ver a quantidade de mulheres viajantes, jovens e velhas, de várias nacionalidades, se aventurando pelo país, cada uma a sua própria maneira e com muita coragem. Me senti parte de algo maior, uma mudança global. Posso estar sendo exagerada, mas acredito que há alguns anos talvez mulheres tão ambiciosas como as que conheci não tiveram a oportunidade de realizar seus desejos. Mas, agora, há mais de um caminho para fazê-lo.

Vai logo!

É claro que sempre precisamos ter bom senso e estar atentas, mas com certeza para mulheres viajantes o Japão é mais seguro que o Brasil. Se você é apaixonada pelo país como eu, recomendo que trace seus planos e apenas vá!

A minha oportunidade de ir para o Japão surgiu com uma promoção inesperada de passagens aéreas e eu não a desperdicei. Às vezes a vida nos presenteia com oportunidades malucas e temos que agarrá-las antes que escapem. Não deixe a sua passar, viu?

 

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Natália Souza
Blogueira e apaixonada por viagens. Visitou alguns países, mas quer fazer a listinha crescer a cada ano. Tem um blog onde compartilha suas experiências pelo mundo.

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