Hogwarts para trouxas: conheça a Universidade de Coimbra

Raíssa Albuquerque (Colaboradora)

A Universidade de Coimbra foi fundada em 1290 (apesar de ter se instalado definitivamente na cidade apenas três séculos depois em 1537) e é considerada patrimônio cultural pela UNESCO desde 2013.

Além de ter formado grandes nomes da nossa literatura (sim, nossa!) como Luís de Camões e Eça de Queirós, vai fazer você se sentir em Hogwarts, seja pelos tradicionais trajes acadêmicos, seja pela arquitetura medieval e as escadas labirínticas nas quais todo mundo se perde pelo menos uma vez.

Se você está planejando estudar em Coimbra ou se vai turistar por Portugal, te empresto o meu olhar para conhecer um pouquinho mais deste lugar onde eu realizei o meu sonho de princesa depois de tantos anos viajando nas aulas de literatura.

A Porta Férrea

Bom, um monumento desses precisa de uma entrada a altura, né? A entrada, que dá para o Paço das Escolas, foi construída no século XVII, no chão, cravada em pedra portuguesa (sim, aquela das calçadas) está a Insígnia da Universidade, uma representação da Sapiência (ou Minerva), deusa latina da sabedoria.

A Porta Férrea é um portão decorado com imagens ligadas à Universidade, como a Sapiência, os reis D. Dinis e D. Jõao III e as figuras femininas que representam as principais Faculdades da época: Medicina, Leis, Teologia e Cânones.

O Paço das Escolas

Dono da minha vista favorita da cidade de Coimbra, o complexo arquitetônico onde fica o núcleo histórico da Universidade existe desde o século X, quando Coimbra ainda era a capital do Portugal. Antes de a Universidade ser ali, era o Paço Real da Alcáçova, foi o primeiro Paço Real português, construído ainda na dominação muçulmana.

Via Latina – Fachada do Paço das Escolas.

A Via Latina

É a fachada principal do Paço das escolas, assim chamada por conta do Latim ter sido por séculos o idioma oficial na academia. É uma construção de arquitetura neoclássica onde você pode tirar fotos lindas sentadinha naquela maravilhosa escadaria.

A Torre do Relógio

Se for um dia de sol, você pode subir na Torre e ter uma visão panorâmica da cidade, depois de subir 180 degraus (ou algo assim). A Torre do Relógio e seus quatro sinos são provavelmente o maior símbolo da Universidade. No passado, estes sinos eram usados para marcar os horários na Universidade (tipo o sinal da escola mesmo). Um deles tinha um som peculiar e por isso é até hoje conhecido como “a cabra”.

A Torre do Relógio

A Biblioteca Joanina

Essa Biblioteca merece um texto só pra ela, de tão maravilhosa! Infelizmente, é proibido tirar fotos lá dentro, então você vai ter que ir lá pra ver.

O mais legal de tudo é que, além de ser um monumento e ponto turístico, a Biblioteca Joanina é de fato uma biblioteca operante, com acervo aberto para consulta. Isso significa que, tendo uma carteirinha, você pode consultar, por exemplo, uma primeira edição de Os Lusíadas.

Só a fachada já é de tirar o fôlego, a entrada é uma espécie de arco de triunfo. É por onde entram os grupos de visitação, com horários marcados, tudo é milimétricamente organizado, para melhor conservação das obras e dos móveis da biblioteca.

O estilo da biblioteca é barroco, os tetos são decorados com maravilhosas pinturas de perspectiva ilusionística, pra te fazer sentir bem pequena diante da imensidão do conhecimento disponível naquelas incríveis estantes de madeira dourada. A sensação de transe é quase inevitável.

Bom, se você não se impressionou até agora, guardo o melhor para o final, para manter os aproximadamente 60 mil livros livres de traças e outros insetos bibliófagos a Universidade conta com uma comunidade de MORCEGOS! Os morcegos são soltos todas as noites, depois de todos os móveis de madeira serem cobertos por grossas capas de couro, para evitar que o cocô dos bichinhos danifique a madeira.

A Prisão Acadêmica

Embaixo da Biblioteca, tem uma das coisas mais bizarras que eu já vi: uma prisão acadêmica. O que é isso? Basicamente, um cárcere privilegiado para estudantes e funcionários da Universidade. As instalações dessa tal prisão ficam no mesmo local onde funcionava uma antiga prisão medieval. Hoje resta muito pouco da prisão e boa parte dela é usada como almoxarifado da Universidade.

Sala dos Capelos, Sala das Armas e Sala Amarela

A sala dos capelos era originalmente a Sala do Trono, em suas predes estão pregados retratos de todos os reis Portugueses (exceto da dinastia Filipina, quando Portugal esteve sob domínio Espanhol) e hoje são realizadas nela solenidades como, por exemplo, posse de Reitoria, abertura do ano letivo, defesa de doutorados e honoris causa (um dia eu chego lá).

Na Sala das Armas estão expostas as armas usadas antigamente pela Guarda Real Acadêmica na segurança destas mesmas solenidades e na Sala Amarela encontram-se retratos dos reitores da Universidade de Coimbra até hoje.

Capela de São Miguel

A Capela esteve em reforma durante todo o período em que morei em Coimbra, então pude ver muito pouco e parcialmente, além de ser outro lugar onde não podemos tirar fotos, é composta por diferentes estéticas e sua principal atração é o órgão de estilo barroco construído em 1773.

Para saber mais sobre preços e horários de visitação na Universidade acesse o site.

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Raíssa Albuquerque
"23 anos, virginiana, mas bagunceira. Formada em Relações Internacionais, feminista e apaixonada por literatura e divas pop. Ver e mostrar o mundo é o que me inspira".

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1 Comment

  1. Menina, amei! Estive em Portugal ano passado e passei por todos esse lugares de Coimbra. Um sonho! A Torre do Relógio foi onde não consegui ir. Tenho um pouquinho de claustrofobia e me avisaram, antes de entrar, que o lugar ficava bem apertadinho no final. Gelei. Paguei mas não consegui.
    Um lugar também que me deixou marcada de uma forma negativa foi a prisão.. Lugar gelado, frio, sombio… Não gostei.
    Mas a Biblioteca! Ah, que delícia! Vontade de mexer em tudo, tocar em tudo!
    Amei seu texto! Me fez reviver tudinho!!!

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