A união feminina em viagem está rolando e é linda!

Pao (Equador), Genesis (Colômbia), Nathalia (Brasil) e Jacqueline (Alemanha). Acervo pessoal.

“Viaja sola?”. Essa foi uma das primeiras perguntas que Genesis, uma colombiana simpaticíssima e sempre com um sorriso no rosto, fez para mim. Eu tinha acabado de chegar ao hostel, na Cidade do México, e fiquei um pouco surpreendida, pois, na minha cabeça, essa seria uma viagem totalmente solo. Contudo, não foi necessário mais do que 15 minutos de conversa para que eu e ela combinássemos um passeio juntas.

Naquele mesmo dia, conheci Jack, uma alemã que está em uma trip solo pela América Central. Adivinha qual foi uma das primeiras perguntas que ela fez para mim? Pois é: “Viaja sola?”. Ah, e não para por aí. Pao, uma equatoriana fofíssima, que chegou depois em nosso quarto e também viaja sozinha, acabou entrando para a gangue.

Não demorou muito para que nós quatro fizéssemos da nossa viagem solo uma viagem de amigas que mal se conheciam, mas que já se consideravam muito. Éramos quatro mulheres, com idades diferentes, de países diferentes, com vivências totalmente distintas, mas que de alguma forma tinham algo em comum: a vontade de desbravar o mundo sozinhas – mesmo quando todos dizem que é inseguro para nós.

Apesar das fronteiras que nos separam, durante nossas conversas fui percebendo que não éramos tão diferentes assim. Certa noite, eu, Geni e Jack, estávamos no quarto conversando besteiras quando o papo ficou sério.

Falávamos sobre nossas vidas, a não vontade de ter filhos, a condição das mulheres. De alguma forma entendíamos que o que fazemos (viajar sozinhas) é, de certa forma, um ato de rebeldia (acho que a Jack não achou muito isso, pois disse que na Europa as mulheres viajam muito sozinhas). Contudo, eu e Genesis, diante da nossa condição de mulheres latinas, sabíamos que éramos ovelhas revoltadas querendo seguir seus próprios caminhos.

União feminina em viagem é possível!

Entre conversas sérias, risadas, cerveja e passeios, com essas mulheres aprendi algo importante: não precisamos necessariamente estar só quando viajamos sozinhas. Podemos contar umas com as outras e essa união é linda!

Na grande maioria dos casos, mulheres têm mais coisas em comum do que incomum. Digo isso, mas não em relação à personalidade. Obviamente, cada uma é cada uma (não estou aqui generalizando, longe disso). No entanto, o que quero dizer é que nossas feridas e medos muitas vezes são compatíveis.

Claro que sempre haverá uma mulher com a qual não temos afinidade. Não estou dizendo que você deve ser amiga de uma pessoa simplesmente porque ela é mulher. O que quero dizer é que quando rola afinidade e quando precisamos umas das outras, podemos estar juntas.

Em uma viagem solo, a união feminina precisa e deve existir. Principalmente, quando uma mulher precisa de ajuda, pois na minha concepção, sororidade trata-se disso: de estar ao lado de uma mulher quando ela precisa de ajuda para enfrentar as adversidades deste mundo machista.

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Sou jornalista de formação e conto com passagens por diversos veículos de imprensa. No entanto, foi como repórter de turismo que encontrei minha paixão. Sou feminista e em 2015 decidi juntar jornalismo, viagem e empoderamento feminino para criar o portal M pelo Mundo.

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