Um mergulho de vida na água amazônica

Imagem: Laura Mendes / acervo pessoal

Quando entra nas águas escuras não se vê os membros do corpo. Água preta e leve como mergulhar na noite de um céu escuro sem estrela. Obscurece as formas de um corpo único pra se misturar no corpo da água amazônica e em seus fluxos, dentre as histórias guardadas misturadas nas areias claras, céu azul num verão quente.

Esse rio negro desperta uma fantasia dos seus peixes, seus mitos, seus barcos, digo seus porque nessa exata descrição quero alcançar o que singulariza esse rio. A escuridão luminosa e cristalina, a vontade de abrir os olhos debaixo d’água para conhecer o que vive lá dentro é inútil. É preciso usar outros sentidos, o insuprível desejo dos olhos se transforma ao nadar no escuro.

Mergulhei no encontro entre o Negro e Solimões. O Negro é fundo e o Solimões turbulento. Imagine seus pés muito muito longe do solo e todas as entidades existentes ali, matéria viva de eras. Rio amazonas, água-doce abunda em afluentes, regula águas, temperatura, florestas e deserto do mundo, mantenedor da vida humana e não humana base na interdependência na natureza.

Lá em março ainda é inverno, muita chuva. Muiraquitã traz sorte e povoa o imaginário com símbolos poderosos da força ancestral das Icamiabas, tribo de guerreiras, sociedade exclusivamente de mulheres, matriarcal, sua história e expressão tão única deu origem ao nome do estado “Amazonas”. Já que foram associadas as mitológicas guerreiras gregas, lendas de uma outra civilização por um colonizador espanhol Francisco de Orellana, mas as nossas, vindas da força de mulheres vivas, destemidas e reais.

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Laura Mendes
Abrir novos caminhos como viajante, tecer os fios das idéias como cientista social, ampliar o sentido da palavra como escritora e produzir visualidades com fêmea fábrica.

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