Sozinha no exterior [parte III]

Imagem: Fabiana Araújo, em Sevilha, Espanha / acervo pessoal

Nesta última parte falarei das minhas impressões sobre viajar sozinha no exterior. Na parte I falei sobre a preparação para a viagem e na parte II sobre as minhas experiências. E, acredito que essa [parte III] seja uma das mais importantes, pois vejo que muitas vezes, mais do que ler sobre burocracias e passeios, o que mais nos interessa é ler as impressões de outras mulheres acerca do que é viajar sozinha neste mundo.

Uma amiga uma vez comentou que o que mais a impedia de viajar sozinha era o medo de sofrer assédio. O que eu penso sobre é algo bem racional: por ser mulher, acredito que assédio eu possa sofrer em qualquer lugar do mundo que eu esteja, infelizmente. Mas, tirando um cara que ficou me seguindo em Coimbra e perguntando se eu era brasileira, nas outras cinco cidades que visitei, entre Portugal e Espanha, eu não sofri nenhum tipo de assédio. Me senti muito livre e tranquila para sair sozinha e usar a roupa que eu quisesse.

Sozinha no exterior: as experiências que vivi

Me comunicar em outra(s) língua(s) foi com certeza uma das melhores partes. Meu nível de inglês não chega ao avançado e o espanhol eu só compreendo bem e estudei um pouco (sozinha mesmo) antes da viagem, mas em nenhum momento tive problemas em ser entendida ou entender. No hostel em Barcelona fiquei no mesmo quarto que uma canadense e uma argentina e saímos muitas vezes juntas para almoçar ou jantar. Foram várias refeições muito divertidas, apimentadas por uma mistura de idiomas. O portuñol, inclusive, ficou afiado.

Sobre estar sozinha, é importante entender que “estar” é um estado, e podemos decidir se queremos permanecer nele. Em uma viagem como essa, nós encontramos muitos e muitas viajantes pelo caminho em busca de companhia.

Porém, também é importante lembrar que é em um tipo de viagem como essa que se descobre o quanto nós próprias somos ótimas companhias. Não há problema algum em se levar para passear ou jantar. É tão gostoso como estar com outra pessoa. Decidir o que quer comer, para onde ir, prolongar o passeio, mudar a rota, atrasar, voltar mais cedo: tudo quem decide é a gente. Para mim, esse é um ótimo exercício de independência e descobertas. Mas, se me perguntam qual a minha parte preferida nisso tudo, eu só posso responder que é viajar <3.

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Fabiana Araújo
Escritora e viajante apaixonada. Feminista, adora incentivar outras mulheres a viajarem sozinhas 🙂

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