Sobre minha primeira vez em um quarto misto de hostel

Pariwana Hostel Lima / HostelWorld (divulgação)

A ideia nunca me pareceu segura. Dividir o quarto com homens em um hostel era algo que eu temia muito. Confesso que fico paranoica quando viajo. Procuro saber tudo sobre os locais que vou, sobre a hospedagem; enfim. Só que chegou um momento em que comecei a pensar se não era receio demais da minha parte. Observava outras mulheres ficando super de boas em quarto misto de hostel e percebi que talvez o problema poderia estar dentro de mim. Foi então que decidi vencer esse medo.

 

 

Planejei minha viagem decidida a me hospedar em um quarto misto. No entanto, só por precaução, decidi fazer uma postagem em um grupo de minas viajantes e questionei se era realmente tranquilo. Em menos de um dia, diversas mulheres comentaram suas experiências. Todas, absolutamente todas que responderam o post, falaram coisas positivas.

Decidida a enfrentar o medo 

Muito mais confiante após tantos feedbacks positivos, decidi que iria enfrentar meu medo. Fui com um amigo e nos hospedamos em um quarto misto. Me senti segura nos primeiros dias (obviamente, eu estava com ele e isso ajudou). Mas, ele partiu e eu segui minha viagem sozinha. 

 

 

A primeira noite me pareceu aterrorizante. Percebi que só tinha eu e um outro cara no quarto. Ansiosa que sou, minha cabeça começou a criar diversas possibilidades de coisas ruins que poderiam acontecer. Resumindo: peguei meus panos e fui dormir em outro quarto, que estava vazio.

Segunda noite: a situação ficou ainda pior. Chegaram mais dois hóspedes, também homens. Sinceramente, fiquei ainda mais apreensiva e falhei novamente na missão. Disfarçadamente, peguei meus panos e fui dormir na barraca.

A situação seguiu assim por mais dois dias e eu cheguei a uma conclusão sobre o assunto. Às vezes, simplesmente, não estamos prontas para enfrentar nossos medos. No entanto, isso não quer dizer que devemos simplesmente nos entregar a ele.

Sigo na minha missão de enfrentar esse medo. Sei que vou precisar me desfazer de uma série de paranoias, desconstruir muitas coisas que foram colocadas no meu imaginário e que vou precisar confiar mais nas pessoas. No entanto, estou disposta a fazer isso respeitando o meu tempo.

Decidi que vou continuar relatando aqui, no M pelo Mundo, essa experiência, para que ela possa inspirar outras mulheres. Então, se você também está passando pela mesma situação, acompanhe o site para saber mais sobre o meu processo.

Mas que medo é esse, mulher?

Sei que para muitas viajantes esse medo pode parecer algo relativamente “bobo”, mas ele é real para mim e para outras mulheres. Diante das coisas que sofremos nesta vida, simplesmente por sermos mulheres, não é de se estranhar que tenhamos uma série de receios.

Cabe a quem já se livrou disso, respeitar o processo das outras manas que ainda não. Julgamentos em meio a processos de desconstrução podem acabar machucando e isso desincentiva. Por isso, que tal, ao invés de julgar, incentivar? Você já se livrou do medo de ficar em um quarto misto de hostel?

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Sou jornalista de formação e conto com passagens por diversos veículos de imprensa. No entanto, foi como repórter de turismo que encontrei minha paixão. Sou feminista e em 2015 decidi juntar jornalismo, viagem e empoderamento feminino para criar o portal M pelo Mundo.
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