As coisas que você precisa saber sobre o Rio de Janeiro, segundo uma carioca

Imagem: Pexels

Dia desses estava eu visitando um grupo das redes sociais, quando vi o pedido de socorro de uma menina. Ela tinha terminado com o boy magia e, de supetão, comprou passagem para o Rio de Janeiro. Viajaria sozinha. Seria sua libertação. Dias antes da viagem, no entanto, a menina estava transtornada, com medo. “Meninas, me ajudem! Estão dizendo que vou morrer lá!” Opa! Como assim? É essa a fama que a gente carioca tem? Calma, meninas. Conversemos sobre a afamada Cidade Maravilhosa.

Gente, vamos combinar? A alcunha não é gratuita. O Rio é maravilhoso, sim. Mas como toda cidade grande, é lugar para se ficar esperta. A cidade é linda. A natureza é um desbunde, mas nada de andar por aqui como se estivessem em um conto de fadas. Muito semelhante ao que acontece no resto do nosso caloroso Brasil, a desigualdade social é forte, dói aos olhos. O muito rico anda ao lado do muito pobre. Eles dividem a rua, sentam lado ao lado na praia. E essa relação quase sempre é explosiva.

Mas não nos reduzamos a isso. Somos mais, muito mais. Somos quentes, somos risonhos, sonhos piadistas. Pode o mundo estar acabando que o carioca vai fazer uma gracinha. Ontem fiquei presa em um bar na Lapa, bairro boêmio do Rio, até quase meia noite porque as ruas estavam tão alagadas que não dava para se mexer. Éramos 3 cariocas, 1 petropolitano e 3 gaúchos. Nunca ri tanto na minha vida! O dilúvio acontecendo, bombeiros resgatando pessoas de barco (!!!), mas a gente – cariocas – estava lá, fazendo piada. É isso, não tem jeito. Nosso senso de humor é eterno.

Então, ficou a dica de que aqui tem que ficar na atividade, né? 
Ok.
 E a parte boa? O que tem de bom para fazer aqui? 
Praticamente de tudo um pouco.

Para quem é de natureza, temos as praias. E que praias! Apesar de Copacabana carregar a fama, Ipanema hoje desponta. Além de linda, traz seus impagáveis personagens! Vindo ao Rio, a visitante “tenqui” provar o Sucolé do Claudinho. O Sucolé é um sacolé delicioso feito com a popa da fruta. Ok, é um pouco carinho, mas vale cada gole. É uma delícia. E faz tanto sucesso que o Claudinho se dá ao luxo de não aparecer em dias que julga fracos.

Além do Sucolé, no posto 08 tem o sanduíche do Uruguai. O que é aquilo, 100or?! É o melhor sanduíche de frango no pão francês que você irá comer na sua vida! Há também o famoso mate, gritado em alto e bom som: “olha o matchêêê!”, que você pode misturar com limonada! Ah, o mate…

Se você não é de praia, não tem problema. Temos nossas cachoeiras. Sim! Cachoeira no meio da cidade. A trilha é super fácil, o acesso é bem simples. Só ir em direção ao Horto, que fica coladinho com nosso Jardim Botânico. As cachus são super lindinhas. São pequenas, mas bem gostosas. Pode-se ter acesso também através da Floresta da Tijuca, lugar mágico e imponente que fica logo ali do outro lado do morro (quando se tem como referência a zona sul). 

Rio de Janeiro é para todxs!

 

Anoiteceu. Está a fim de fazer algo gostoso? Pedra do Sal para curtir aquele samba bom, de raiz. Não curte samba? Não tem problema. É só dar uma passada em Botafogo, ali mesmo perto da estação do metrô que estará diante de todo tipo de bar para todos os tipos de bolso e com todo tipo de música. Ainda não se deu por satisfeita? Dá uma passadinha lá na Lapa, pois várias oportunidades surgirão.

E chorinho? Curte? Chorinho é bem carioca, né? Tem chorinho toda segunda na Praia Vermelha. Na quarta, tem chorinho também na Glória, na rua Benjamin Constant. E, aconselho, pertinho dali, na Rua Santa Cristina, tem a pizzaria do Chico. Caraca! Eita pizzaria boa.

O que falar da Praça São Salvador, no Flamengo. A São Salva, para os íntimos, é uma pracinha linda, no meio do bairro, em que frequentadores conversam, tocam, bebem, riem, se divertem todos os dias da semana. Quer ir numa terça? Tem Praça. Quer ir numa quarta? Vai porque tem movimento. A Praça é um lugar vivo, uma expressão muito justa do carioca. Aos domingos, há a famosa feirinha em que uma banda de chorinho (de novo o famoso chorinho) se apresenta na parte da manhã até o começo da tardinha.

 E a Rua do Ouvidor, no centro? Bares e mais bares. Sambas e mais sambas. Música e mais música. Sem falar nos inúmeros forrós que tem na cidade, com destaque para a Feira de São Cristovão que fica no bairro homônimo. A feira é um pedacinho do nordeste no Rio. Tem comida nordestina, tem roupa, tem coisa de casa e tem os famoso videokês! Ningu

Sim, você leu certo!

 A feira bomba com seus videokês. A galera se junta para cantar clássicos de todos os tipos, de Magníficos, passando por Red Hot Chili Peppers, chegando a Sandy Junior e dando uma passadinha em Claudinho e Buchecha. Quer diversão garantida? Boas risadas? Cerveja barata? Tudo isso tem na feira de São Cristovão.

Tem também a feirinha da General Glicério em Laranjeiras, os eventos na Lagoa, a Lagoa por si só, o Aterro do Flamengo (quer andar de bike e se sentir livre? E patins? Quer treinar? Aterro é o melhor lugar!), a mureta da Urca, que ganhou uma irmã, conhecida como “pobreta” (a pobreta tem o pôr-do-sol mais bonito e fica mais perto da Praia Vermelha), o Boulevard Olímpico, com seus grafites e com o mural do Kobra, o Museu de Arte do Rio, carinhosamente apelidado de MAR, em que várias noites abriga festas de graça no pilotis… Ah, o Rio… Tem tão mais… Tão muito mais.

Eu poderia ficar aqui contando linhas e mais linhas sobre o Rio. A terrinha é pequena, mas é encanto puro. Vem para cá, sim. Vem que tenho certeza que vai amar. Infelizmente, lembre-se de estar atenta, de não dar o famoso mole. Converse com nativos. A gente é gente boa, vai dar a dica legal. Junte-se a nós, às cariocas. Estamos de braços abertos para recebê-las. Vem, pode vir! Você é muito bem-vinda!

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Natasha de Pina
Carioca curiosa, minha paixão pelas letras veio da impossibilidade de se conhecer o mundo todo em somente uma vida. Se não posso ver tudo fisicamente, que o faça pelos livros também. Minha vida é escrever e viajar. Não necessariamente nessa ordem.

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