Quartos femininos são cobrados mais caros em hostels. Isso é justo?

Não é fácil ser uma mulher viajante. Durante nossa jornada, temos que estar sempre atentas, precavidas e com cuidados redobrados, se comparados com homens viajantes. Como se não bastasse esse fato, ainda temos que lidar com as questões financeiras que acabam nos prejudicando.

É preciso lembrar que, infelizmente, em muitos cargos as mulheres ainda recebem salários inferiores. Por isso, não é de se espantar que nossa renda seja menor em uma viagem. No entanto, isso parece não ser levado em conta por muitos hostels que praticam preços mais caros em quartos femininos.

Pensando a partir de um ponto de vista administrativo retrógrado, muitos hostels praticam preços mais altos, pois, nós, mulheres viajantes, ainda somos minorias. E o preço mais alto seria uma maneira de compensar a falta de viajantes nas habitações femininas.

O que esses empreendimentos, talvez, não saibam, é que ao praticar esses preços estão colaborando com a desigualdade de gênero. Isso porque, como já foi mencionado, as mulheres ainda recebem salários inferiores aos homens e por isso quando viajamos temos uma renda inferior e pagar mais caro em uma habitação acaba nos prejudicando.

Muitos hostels podem até não perceber, mas essa prática, conhecida como #taxarosa, acaba desestimulando as mulheres que viajam a se hospedarem em hostels. Muitos podem questionar, “aaaa mas há os quartos mistos”. Sim,  mas muitas mulheres possuem receio em compartilhar um quarto com homens. Com toda razão, uma vez que vivemos em mundo extremamente violento e machista.

Desta forma, quando uma hospedagem pratica preço alto em quartos femininos,  como uma maneira de equilibrar sua despesa, acaba na verdade dando um tiro no próprio pé, pois desestimula a hospedagem de mais mulheres e ainda presta um tremendo desserviço para a sociedade.

Diante das questões levadas neste artigo, convido a todos administradores (as) de hostels a refletir sobre suas práticas e também venho lembrar as mulheres viajantes que temos que lutar por direitos iguais e por isso temos que começar, sim, a questionar práticas abusivas.

 

 

 

 

 

 

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Sou jornalista de formação e conto com passagens por diversos veículos de imprensa. No entanto, foi como repórter de turismo que encontrei minha paixão. Sou feminista e em 2015 decidi juntar jornalismo, viagem e empoderamento feminino para criar o portal M pelo Mundo.

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