Museo de la Mujer: um espaço feminista na Cidade do México

Nathalia Marques, no Museo de la Mujer.

Antes de viajar para o México comecei a investigar mais sobre o país. Assim como muitos, a minha ideia dos mexicanos era limitada e isso me incomodava. Ademais, eu queria chegar lá sabendo o mínimo sobre o país. Para isso, fui diretamente à cultura e comecei a assistir séries e filmes mexicanos. Nessa jornada, acabei me deparando com Juana Inês, uma série produzida pela Netflix, que me instigou a querer saber mais sobre a história das mulheres mexicanas.

Nessa mesma época, eu estava fazendo um minirroteiro da Cidade do México, com o Google Maps, e observando o mapa me deparei com o Museo de la Mujer. No mesmo instante, abri um sorriso. A partir dessa descoberta, coloquei no meu roteiro que o Museo de la Mujer seria parada obrigatória na Cidade do México.

O grande dia 

Passei a manhã trabalhando (sim, eu trabalho enquanto viajo) e quando deu umas 13h decidi que iria fazer algo. Como ainda não tinha conhecido o Museu, achei que aquele era o momento certo.

As meninas que conheci na viagem estavam cada uma em um lado da cidade. Resolvi então que iria sozinha mesmo. Arrumei minhas coisas e tirei print do mapa, pois meus dados tinham acabado e não teria internet. Conferi várias vezes se conseguiria chegar e fui.

Desci no metrô Allende, um péssimo trajeto que o Google tinha indicado, pois tive que andar muito e passar por umas ruas meio estranhas. Após uns 30 minutos perdida e pedindo informações, consegui chegar à República de Bolivia.

Lá, confesso, não é uma rua muito atrativa e bonita. Por isso, fiquei com certo receio. Contudo, já estava no caminho e não iria voltar. Foi nesse misto de desespero que cheguei no Museo de la Mujer.

Para minha felicidade, entrei e as mulheres na recepção me trataram com muito carinho e me explicaram como funcionava o Museu. Já bem mais tranquila, paguei os 20 pesos da entrada e fui fazer minha visita.

Conhecendo o Museo de la Mujer

A primeira exposição que me deparei, logo na entrada, era fotográfica e retratava o impacto do machismo na vida das mulheres. Eram imagens realmente fortes e a que mais me marcou foi a de uma menina com uma corrente no pescoço sendo levada por um senhor.

Após algum tempo de reflexão, segui minha visita e me deparei com algo que me deixou profundamente feliz – um lindo quadro de nada mais, nada menos, que Juana Inês. De alguma forma, essa mulher me levou até aquele lugar e estava lá, imortalizada em uma linda pintura. Achei isso interessante.

Seguindo meu passeio, na parte de cima do Museu, encontrei uma linha do tempo completa com datas importantes sobre a luta das mulheres no mundo. Além disso, havia uma sala com telas que contavam a história de diversas mulheres importantes e que mudaram a história tanto no México quando no Mundo.

Foi uma aula de história. Saí do Museu com o coração cheio de esperança e com muito orgulho. Foi a melhor aula que já tive, pois diferente dos livros, ali quem contava a história eram elas – as mulheres.

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Sou jornalista de formação e conto com passagens por diversos veículos de imprensa. No entanto, foi como repórter de turismo que encontrei minha paixão. Sou feminista e em 2015 decidi juntar jornalismo, viagem e empoderamento feminino para criar o portal M pelo Mundo.

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