Mulheres sobre Rodas: um livro sobre as aventuras de cinco jornalistas pelas estradas do Brasil

Imagem: Livro Mulheres sobre rodas/ divulgação

Quem lê Mulheres sobre Rodas não se arrepende. Escrito a dez mãos, cada seção traz o relato de cinco caminhoneiras, como gostam de ser chamadas, e de suas andanças pelo Brasil. São elas mulheres de força que toparam cair na estrada para nos dar a oportunidade de viver também essa incrível experiência.

Pelo livro, vivenciamos histórias de todos os tipos: fortes, engraçadas, tensas, curiosas… Todas transpiram a força dessas mulheres. Elas trocam pneu sozinhas, entram por caminhos desconhecidos, brincam com o tanque do carro quase vazio, são perseguidas na estrada.

Engana-se quem pensa que foram criadas na estrada. Que nada. São cinco jornalistas que percorreram o Brasil inteiro viajando de ponta a ponta, visitando pousadas, avaliando restaurantes, vivendo cada experiência que nem me contem. Ou melhor: que contem, sim, que contem tudo.

E elas vão contando…

Linha após linha, de pouquinho em pouquinho, as identidades das nossas heroínas vão sendo reveladas. Alexandra Gonsalez, com seu texto firme, mostra seu lado doce ao falar da sua família. Entre episódios esdrúxulos como o de ter ficado hospedada em local onde tinha uma vaca morta na piscina, Alexandra divide conosco a experiência de ter se permitido ser guiada por uma pequena garotinha de apenas 6 aninhos de idade pelo meio do mato nos arredores de Inconfidência, distrito de Paraíba do Sul (RJ).

Beatriz Santomauro, mineira, impressiona pelas aventuras por que passou como quando em uma noite, em Cotia (SP), achou que o hotel onde era a única hóspede estava sendo invadido. A firmeza de seu texto dá lugar ao seu lado bobo quando lemos sobre sua relação Amigas e Rivales com seu cabelo na seção “Coisa de Mulherzinha”. Lá também há uma foto de Beatriz sacudindo as madeixas como em um show de rock.

Cristina Capuano tece suas histórias de forma imponente e sóbria, ao mesmo tempo que nos faz viajar nas imagens que constrói (sejam elas boas como a do namoradinho que encontrou numa de suas primeiras viagens) sejam elas mais pesadas como a de quando ouviu de caiçaras histórias sobre o passado de Ilha Grande (RJ).

Já Karina Greco revela-se em um discurso engraçado e cheio de lições de vida. Logo de cara abre o jogo e fala que é paulistana e nunca esteve muito acostumada com a natureza, não. Como tem estado na estrada há um tempo, acabou se curvando e passando a entender um pouquinho mais os animais não humanos. Karina compartilha conosco uma foto hilária sua em que segura um jacaré  em um barco no meio do Rio Solimões. No seu rosto, uma mistura de desconforto com felicidade.

Sonia Xavier é a baiana zen do grupo (é assim que é apresentada no livro). Mas como todos sabem, baiano que é baiano é arretado, queira ou não queira. Sonia conta-nos, entre outras, a fascinante história de ter rodado 4 km com folhas dentro do pneu furado até conseguir ajuda.   Em outro momento, perde nas belezas de uma flutuação em Bonito (MS). Da empolgação de Bonito, escreveu um texto sobre o lugar que seu editor questionou se estava sob efeito de alucinógenos. É claro que não estava. Estava só sendo Sonia.

Com um texto de fácil leitura, a cada página o leitor se aproxima cada vez mais dessas mulheres. A conexão com elas e com suas histórias é quase que imediata. Elas são como nós, são pessoas como nós. Cada história é uma viagem sem sair do sofá. São relatos verdadeiros, marcantes. São relatos empoderadores que, de uma forma ou de outra, fazem-nos pensar: “hum… Eu posso entrar numa dessas também!”.

Resenha: Gonsalez, A., Santomauro, B., Capuano, C., Greco, K, Xavier, S. Mulheres sobre Rodas. “As histórias de cinco jornalistas pelas estradas do Brasil”. Geração Editorial, 2008. p. 116.

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Natasha de Pina
Carioca curiosa, minha paixão pelas letras veio da impossibilidade de se conhecer o mundo todo em somente uma vida. Se não posso ver tudo fisicamente, que o faça pelos livros também. Minha vida é escrever e viajar. Não necessariamente nessa ordem.

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