Marina Azaredo: “mulheres precisam se sentir seguras para viajar e o governo tem um papel importante nisso”

Não há dúvida de que o Brasil ainda tem muito a caminhar em relação ao direito das mulheres. No turismo, esse caminho é ainda mais longo. Para Marina Azaredo, jornalista e editora assistente da revista Azul Magazine, a questão ainda não é tratada com tanta importância pelo setor. “Tenho mais experiência viajando pelo Brasil e posso dizer que aqui não vejo um movimento muito forte em relação aos direitos das mulheres, infelizmente”, explica. Na coluna “Minas Viajantes que Escrevem”, desta semana, conversamos com a jornalista sobre o assunto e também sobre como é conciliar viagem e trabalho. Confira!

M pelo Mundo – Muitos setores estão se engajando com os direitos das mulheres, você vê isso no turismo? 

Marina Azaredo – Tenho mais experiência viajando pelo Brasil. E posso dizer que aqui não vejo um movimento muito forte em relação aos direitos das mulheres, infelizmente. Como viajo sempre acompanhada – por fotógrafos, assessores de imprensa ou mesmo guias de turismo -, nunca passei por uma situação difícil. Mas imagino que muitas mulheres ainda encontrem dificuldades pelo caminho.

M pelo Mundo – Em relação ao turismo nacional, você acredita que é necessário que as secretarias de turismo e o próprio ministério do turismo atuem de forma mais ativa para oferecer destinos mais seguros para as mulheres? 

Marina Azaredo – Com certeza. Principalmente no interior e nas áreas mais remotas, onde há uma consciência ainda menor sobre os direitos das mulheres. É preciso que as mulheres se sintam seguras para viajar sozinhas. E sim, acredito que os governos têm um papel importante nisso. Sonho com o dia em que vamos parar de escrever e ler matérias com dicas de segurança para mulheres que viajam sozinhas. Simplesmente porque elas não precisarão mais existir.

Viagem e trabalho: é possível conciliar?

M pelo Mundo –  quanto tempo você atua como jornalista de turismo? 

Marina Azaredo – Há três anos. Desde que comecei a trabalhar na Azul Magazine. 

M pelo Mundo – Como jornalista de turismo você deve receber muitos convites para viajar. Como é conciliar trabalho e viagem? Dá para aproveitar os destinos? 

Marina Azaredo – Quando viajo a trabalho, para escrever uma matéria, fico super preocupada em pegar todos os detalhes do lugar que estou conhecendo. Desde fotografar os cardápios dos restaurantes para depois informar os preços para os leitores até entrevistar os personagens interessantes que encontro pelo caminho.

Como sou antiquada, risos, o bloquinho é o meu melhor amigo nas viagens a trabalho. Fico com ele sempre a mão para anotar tudo o que achar necessário (mas o celular também ajuda nessas horas, é verdade. Uso muito para fotografar algo que dá preguiça de escrever e também para fazer uma ou outra gravação).

Já viajar de férias é uma experiência um pouco mais leve, digamos. Não me preocupo em fazer anotações e o ritmo é outro. Posso passar duas horas deitada em um parque sem a preocupação de estar perdendo a luz boa para as fotos, hahaha. Mesmo assim, tento mostrar tudo o que acho interessante no Stories, sempre de uma maneira informativa, porque acho que tem muita dica útil que a gente tem que passar adiante, e o Stories é uma ótima ferramenta para isso.

Mas, embora sejam experiências bem diferentes, acho que dá para aproveitar das duas formas. Uma das viagens mais marcantes que fiz foi justamente a trabalho, para a Chapada Diamantina. Sabe aquela viagem que muda alguma coisa dentro da gente? Pois é. Eu estava lá trabalhando, mas foi tudo tão intenso, bonito e emocionante que voltei diferente. E foi duro voltar! Viajar é tão bom que mesmo quando é trabalho é maravilhoso 🙂 

M pelo Mundo – Assim como você, muitas mulheres também viajam a trabalho. Acredito que muitas tenham dúvida de como conciliar isso para que se possa desfrutar minimamente da viagem. Quais dicas você poderia passar para essas mulheres? 

Marina Azaredo – Acho que o mais importante é impor limites ao trabalho. Uma hora é preciso parar, apreciar a vista, jantar sem preocupações, tomar um drink sem peso na consciência, permitir-se apenas viver o lugar. Até porque, se o trabalho for escrever sobre aquele destino, você precisa relaxar um pouco para sentir a “vibe”, não é mesmo? Se o trabalho não tiver nada a ver com turismo, nem precisa dizer que às 18h o expediente acaba, né?

 

Da redação
Somos o primeiro portal de informações e dicas de viagem para mulheres.
Faça um comentário

Aviso

A reprodução total ou parcial do conteúdo publicado no M pelo Mundo, sem a autorização do site, é proibida pela Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.