Just you?

Fabiana Araújo (Revisora e colaboradora)

Toda viajante sola que se preze já ouviu pelo menos umas 3234 vezes a clássica pergunta “Só você?”. Dizem que vivemos os tempos modernos, mas a verdade é que uma mulher viajando sozinha ainda causa muito estranhamento. Muitas vezes, uma mulher jantando ou apenas passeando alone, é vista como uma pessoa digna de pena. Mas o que os outros pensam da gente não importa, não é mesmo?

Viajar nos propicia muitas e diferentes experiências, e uma das mais bacanas que vivenciei foi ir para a balada sozinha enquanto estava em Floripa. Florianópolis é uma das cidades mais lindas que eu já conheci. Gostei tanto que acabei morando lá por um tempo. Conhecida como a “Ilha da Magia”, a cidade reúne um vasto número de belezas naturais e baladas alternativas.

Hoje em dia moro na minha cidade natal, Campina Grande, mas ano passado estive na ilha para matar a saudade. Fiquei hospedada na casa de uma amiga que me acompanhou em muitos passeios, mas como ela estava ocupada com trabalho e faculdade, não pôde estar comigo o tempo todo.

Just me in Floripa

A Casa de Noca, na Lagoa da Conceição, é um dos meus lugares preferidos na cidade, e eu estava louca para matar a saudade de lá. Eu fui para passar poucos dias e o dia que me restou para ir na Noca foi a segunda-feira, que tinha a entrada “pague quanto puder” e uma jam session com a banda Jazz na Cova.

Nem por um momento pensei em deixar de ir por não ter companhia. A minha preocupação maior era a volta para casa, mesmo a minha amiga morando pertinho da balada. Eu considero Floripa uma cidade muito segura, principalmente se comparada às outras grandes cidades do Brasil. Mas, mulher voltando sozinha da balada, em qualquer lugar, é mulher voltando sozinha da balada. Até táxi ia ser complicado, porque pela proximidade, os motoristas nunca querem levar.

Ideia vai ideia vem, minha amiga me sugeriu ir e voltar na bicicleta dela. Nada mais fora da minha realidade atual, mas lá é algo realmente muito comum. Eu adorei e acatei a ideia na hora. Chegava rapidinho e na volta as chances de ter algum cara me enchendo o saco por estar andando na rua sozinha caíam para quase zero.

Quando cheguei na Noca comprei minhas cervejas (mas me regulei para não beber muito, claro, pois não é uma boa ideia quando se está só nem quando se está dirigindo.. rs) e fiquei de boas ouvindo jazz de boa qualidade por um preço super acessível. Em nenhum momento me senti deprimida ou loser. Pelo contrário, estava feliz por não deixar de fazer algo que eu queria muito.

Yes, just me.

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Fabiana Araújo
Escritora e viajante apaixonada. Feminista, adora incentivar outras mulheres a viajarem sozinhas 🙂

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