Curso “Como Viajar Sozinha?” abordará a historicidade do lugar de mulher

Existe uma fórmula para viajar? E para saber como viajar sozinha? Cada vez mais o tema de mulheres que viajam solas tem ganhado destaque em diversas mídias. No entanto, por muitas vezes, o tema é abordado com certas ressalvas, apontando, por exemplo, os cuidados que devemos ter ao viajar e/ou os lugares a se evitar.

O tema, além de ser tratado com cautela, como algo que foge da normalidade estabelecida pela estrutura em que vivemos, é também colocado como algo novo. Será que apenas mulheres do século XX e XXI viajam sozinhas?

Estudos como os de Stella Scatena Franco, “Peregrinas de outrora: viajantes latino-americanas no século XIX” e Sónia Serrano, “Mulheres Viajantes” nos apontam para personagens históricas que viajam sozinhas, datadas do século IV até a atualidade.

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Parte do nosso desconhecimento sobre narrativas históricas como está se devem a silenciamentos pelas quais a História passa e isto está diretamente relacionado a uma série de implicações políticas.

Pensarmos esse silenciamento e porque tantas pessoas no sugerem cautela ao dizermos que vamos seguir a vida por aí, também está ligado a algo muito importante que é o considerado “lugar de mulher”. Afinal, qual lugar nos é reservado? O espaço público ou privado?

Historicamente, a nós, mulheres, o espaço privado nos era reservado. A partir do momento em que nossas ancestrais romperam essa barreira, o espaço da normalidade entrou em crise e se pensarmos há quanto tempo temos legitimada por lei a nossa autonomia em relação a homens que circundam a nossa vida, mal chega há 30 anos.

Há portanto uma estrutura patriarcal muito forte, em que conscientemente ou não, estrutura as nossas relações sociais brasileiras. A partir desta estrutura, é importante pensar como há uma forte agência de um poder exterior, não só sobre as nossas relações raciais, como o controle dos nossos corpos, o chamado biopoder ao qual o filósofo francês Michel Foucault se refere.

Curso “Como viajar sozinha” abordará reflexões importantes sobre o lugar de mulher na sociedade

Levando em consideração tantos elementos, criei o curso “Como Viajar Sozinha?” para discutirmos a historicidade do lugar de mulher, mulheres viajantes, estudos de caso de violência de gênero, entre outros. Este curso acontecerá no dia 25 de junho, sábado, às 15h, no espaço criativo GWS, no Rio de Janeiro.

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Thaís Carneiro
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Historiadora. Uma feminista que ama viajar e busca encorajar mulheres a fazerem o mesmo. Criadora do projeto Mulheres Viajantes (mulheresviajantes.com) que visa o empoderamento feminino através da publicação semanal de relatos de mulheres que viajam sozinhas e/ou entre amigas e do Mulheres Viajantes vai às ruas, que propõe o encontro destas mulheres para discutir questões caras às mesmas.