Costa leste mexicana: um mundo além dos resorts

Imagem: Cenote perto de Chichen Itza/ acervo pessoal de Natasha de Pina

    Aí, só basta um cheirinho, uma imagem, uma cor, um ventinho diferente, que você é transportada novamente para aquele lugar. Proust já falava isso, não é? E foi isso que aconteceu comigo. Estava eu, voltando da ioga, arrumando minhas coisas, quando uma pequena caveirinha, um bonequinho horroroso de uma caveira dado com muito carinho por um amigo, me fez voltar ao ano de 2013. Nem faz tanto tempo assim no calendário, mas, na memória, nos sentimentos, parece que lá se foram décadas. 

   A primeira vez que fui ao México, fui com uma amiga. Fomos para a costa leste do país. Percorremos Tulum, Cancún, Playa del Carmen e arredores, claro. A região é relativamente pequena. Tendo um carro, visita-se muito. Ah, a Riviera Maya e suas belezas!

   Fala-se muito de Cancún quando se pensa nessa região, mas a verdade é que há tão mais para se explorar. A pirâmide de Chichén Itza, por exemplo, é uma aula de história e de cultura Maia. Fica a aproximadamente 80 km da costa, ou seja, é bem perto. Dá para se juntar a uma expedição ou ir de carro. Foi eleita uma das Novas Maravilhas do Mundo, em 2007! Importante, não é? Vale cada segundo!

   No caminho para Chichén Itza há alguns cenotes, olhos d’água que emergem do solo como piscinas de água cristalina. Falando em bom português, um super buracão (lindíssimo!) cheio de água no meio da natureza. O cenário que os envolve é digno de pintura, digno de filme! A região é cheia deles.

Imagem: Praias de Tulum/ acervo pessoal de Natasha de Pina

   A vontade que dá é a de não fazer mais nada na vida até conhecer todos – to-dos! Porque, assim como as praias e as cachoeiras, cada um é diferente do outro, cada um tem um mistério próprio, um encanto particular. Na época dos Maias, eram cenário de rituais de sacrifício. Pessoas morriam lá. O cenote de Chichén Itza era um deles. Lá não se pode banhar. Outros, no entanto, o mergulho é permitido. A meu ver, obrigatório. Maldade é não nadar naquelas águas.

Costa leste mexicana: uma região de lugares paradisíacos

   Há os cenotes mais famosos – Ojos Azules, Dos Ojos e outros – e há aqueles que só tem uma plaquinha furreca na entrada da fazenda, do sítio, avisando que ali existe um pequeno pedaço do paraíso. “Entre, entre. O melhor lugar do mundo é aqui.” Sinceramente, nem acharia exagero se tivesse lido um convite desses lá.

   Tulum é o cantinho sul de Quintana Roo em que se vai para relaxar, para ver o mar, para fazer uma ioga, para curtir um solzinho. Os hotéis que serpenteiam as praias oferecem o desestresse como prato principal. Há muitos lugares de massoterapia, muitas espreguiçadeiras e muitos mojitos para ajudar no clima.

   E as ruínas do sítio arqueológico de Tulum?! Visita obrigatória! Além do lugar ser historicamente riquíssimo, as ruínas ficam à beira de uma das praias mais lindas da região. De águas límpidas, transparentes e de ondas amigas, ao se deparar com aquela beleza não há ser que deseje sair dali. Nunca mais.

    Quando fiz essa viagem para a costa leste, estava com a grana um pouco contada. Acabei não me hospedando nesses hotéis. Fiquei mais para dentro da cidade, mas passei algumas tardes aproveitando o que eles tinham de melhor na praia. Essa é uma boa opção para quem quer ter a experiência mas não está podendo se esbaldar.

A famosa e maravilhosa Cancún

   Fiz o mesmo em Cancún, mas não por grana. Bem, não somente por grana. Não quis ficar hospedada naqueles grandes hotéis por querer para minha viagem um outro tipo de experiência. Fiquei em um hostel mais na cidade. Dessa maneira, pude frequentar bares que os nativos frequentavam, pude comer a comida de rua mexicana – o que são os tacos al pastor?! -, pude conhecer um pouco mais do povo mesmo. Cancún é uma cidade interessantíssima, principalmente fora do cinturão dos grandes resorts. E fora que, mais perto de Cancún, ficam outros cenotes pitorescos também!

   Playa Del Carmen é como se fosse uma cidade de Búzios, aqui no Rio, mais movimentada. Tem noitada, tem barulho nas ruas. Tem muito turista, muito muito mesmo. É agitação pura. É onde se vê mais mariachis por metro quadrado. Não há uma refeição que se faça na rua sem que eles apareçam. Adoro!

Imagem: Ruínas de Tulum / acervo pessoal de Natasha de Pina

   Sem falar, é claro, nas caveiras mexicanas que são vendidas em praticamente cada esquina. Você as olha, elas olham você. Vocês se namoram. E não tem jeito: ir ao México e não voltar com uma delas para casa é praticamente um sacrilégio. Há caveiras de tudo que é tipo, de tudo que é cor, de tudo que é gosto. Tem esqueleto completo, tem só a caveira. Tem grande, tem pequeno.

   Como falei, essa viagem maravilhosa já completou quatro anos. Desde então, voltei ao México umas outras vezes para conhecer outras regiões. Há tanto para se explorar! Quem vai não se arrepende e fica sempre com um gostinho de “quero voltar”.

   Mas se a volta não é tão imediata quanto gostaríamos,  não tem problema. As lembranças trazem à tona as coisas boas. Comigo funcionou assim. Foi justamente esbarrando em uma daquelas caveirinhas mexicanas aqui em casa que fui transportada para esse mundo colorido que é o México e revivi todas aquelas experiências. Ah, saudade!

 

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Natasha de Pina
Carioca curiosa, minha paixão pelas letras veio da impossibilidade de se conhecer o mundo todo em somente uma vida. Se não posso ver tudo fisicamente, que o faça pelos livros também. Minha vida é escrever e viajar. Não necessariamente nessa ordem.

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