Comer, Rezar e Amar: a história de uma viajante em busca da paz interior

Imagem: divulgação

O livro “Comer, Rezar e Amar”, da jornalista estadunidense Elizabeth Gilbert, ganhou o mundo através do filme hollywoodiano (do mesmo nome) que contou com a interpretação da atriz Julia Roberts representando a escritora. Confesso que fiquei um pouco incomodada com a narrativa do filme. Senti que foi construído uma personagem impulsiva e superficial. Além dessa construção de personagem frágil, a perspectiva do que é viajar e do que é ser viajante me incomodou também.

Apesar disto, não torci o nariz para o livro e decidi lê-lo. A leitura é fluida e Gilbert estrutura 36 contos, em três partes, que correspondem aos destinos visitados: Indonésia, Índia e Itália. Esses números não são uma escolha aleatória. Já que o livro também foi traduzido em 36 idiomas. A autora traça um diálogo com a estrutura do japamala, conhecido vulgarmente, como terço dos budistas. Ao repetir os mantras ponta a ponta, o fiel constrói um “cordão energético”, segundo a crença.

O livro “Comer, Rezar e Amar” vai além da superficialidade 

Se o filme não se dedica a explicar o que fez com que a escritora largasse tudo em Nova Iorque, o livro já o faz. E ainda se detém a narrativas bem sensíveis do que foi o doloroso processo de separação do marido e como ela planejou aquela viagem de um ano, vivendo em quatro meses em cada país.

Podemos observar ao longo do livro que a escolha de cada um destes lugares não foi feita de modo impulsivo. Gilbert estabeleceu um propósito daquelas visitas, inicialmente. A conversa com um xamã balinês, em uma press trip, meses antes motiva Gilbert a preparar o seu ano sabático.

     “Para encontrar o equilíbrio que você busca, é nisso que você tem de se transformar. Precisa manter os pés plantados com tanta firmeza na terra que é como se tivesse quatro pernas, em vez de duas. Assim, você consegue permanecer no mundo. Mas você tem de parar de ver o mundo através da sua cabeça. Em vez disso, precisa olhar pelo coração. Assim você vai conhecer Deus.”

A viagem de Elizabeth Gilbert

Assim, na Itália iria para aprender a língua italiana por achar lindíssima a sua sonoridade. No entanto, acabou por se lançar ao que ela colocou como prazer mundano, aproveitando todas as delícias gastronômicas no país.

Para a devoção religiosa, o destino escolhido foi a Índia. Ali a escritora encontraria a sua guru e trabalharia as práticas como a meditação. Para mim, aqui está o ponto que mais afasta o livro do filme, pois há um mergulho mais profundo na busca pela espiritualidade. Se você já se viu em meio a um redemoinho de emoções e tentou parar as suas vozes internas, com certeza, vai se identificar com ela.

Por fim, a chegada à Indonésia que vem acompanhada, inicialmente, da falta de perspectiva de Gilbert. Ela chega querendo encontrar um equilíbrio entre desejos e vontades, mas não sabe por onde começar. A forma como ela tenta equilibrar todos os pratinhos para chegar a uma paz consigo mesma é o motor que move todo o livro. O esforço de uma vida, não?

Você já chegou a ler o livro? E ver o filme? Me conta as suas impressões?

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Thaís Carneiro
Historiadora. Uma feminista que ama viajar e busca encorajar mulheres a fazerem o mesmo. Criadora do projeto Mulheres Viajantes que visa o empoderamento feminino através da publicação semanal de relatos de mulheres que viajam sozinhas e/ou entre amigas e do Mulheres Viajantes vai às ruas, que propõe o encontro destas mulheres para discutir questões caras às mesmas.

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