Chapada Diamantina: um paraíso baiano

Cachoeira da Conceição dos Gatos

A Chapada Diamantina sempre foi um dos destinos brasileiros que eu mais sentia vontade de conhecer. Todas as fotos que via me encantavam e só faziam aumentar meu desejo em conhecer este paraíso baiano. Comecei há alguns anos a tentar juntar alguns amigos e amigas para me acompanhar nessa viagem, mas nunca dava certo. Então, decidi que nas férias deste ano iria nem que fosse sozinha, e foi o que aconteceu. Não foi a primeira vez que viajei sola, mas foi a primeira vez que viajei sozinha no Brasil (o que me fazia sentir uma certa insegurança) para um lugar desconhecido.

Sou de Campina Grande, na Paraíba, e tenho a opção de ir de ônibus ou avião para Salvador. Incialmente, iria de ônibus por ser mais econômico, mas consegui passagem promocional e fui de avião. Para chegar à rodoviária de Salvador, peguei um ônibus executivo no aeroporto, o First Class, que me custou 36 golpes. Da rodoviária, meu destino era a cidade de Lençóis, que fica a cerca de oito horas da capital baiana.

Comprei a passagem com antecedência no site Real Expresso. Fui no ônibus das 23hs e por estar indo sozinha nesse horário, estava um pouco apreensiva. Mas, pode relaxar, mulherada, que além de ter muita mulher indo sozinha também, toda a galera do bus tá na mesma good vibe que a sua de ir conhecer a Chapada. A viagem foi super tranquila.

Em Lençóis me hospedei no Hostel das Estrelas e recomendo muito!!! As proprietárias são muito simpáticas, prestativas e preparam um café da manhã delicioso. Como cheguei na cidade às 5h da manhã, fui de táxi até a pousada e pude esperar na área comum do Hostel, com direito ao café da manhã, que me custou 20 golpes, até que se iniciasse o check-in.

Um dos conselhos que recebi de todos que conheceram a Chapada, foi o de não fechar pacotes antecipadamente, já que é possível você se juntar aos grupos que estão sempre saindo e com isso tornar seu passeio mais barato. Recomendo o mesmo. Mas, infelizmente, quando cheguei, estava muito cansada e preferi ir descansar, mas tinha uma menina que estava no meu quarto de saída para um passeio com um guia, por exemplo, e eu poderia ter me juntado a ela. Depois conversamos e ela me contou que era a primeira viagem dela sozinha.

À tarde, quando acordei, decidi ir dar uma volta na cidade, procurando por agências, e acabei fechando um passeio com a Zentur para o dia posterior. Esse passeio custou 190 golpes, mas valeu muito a pena. Conheci a Fazenda Pratinha, o Morro do Pai Inácio, o Poço do Diabo e a Gruta da Fumacinha. Todo o deslocamento, entradas e almoço estavam incluídos no pacote. Os lugares são todos fantásticos e ainda teve o bônus da galera que foi comigo no passeio: um alemão, uma espanhola, um pernambucano e um casal paulista. Todo mundo gente boa! Conversamos bastante e demos boas risadas.

Gruta da Pratinha na Fazenda Pratinha

No outro dia fui de ônibus para meu segundo destino, o Vale do Capão (a passagem pode ser comprada na rodoviária de Lençóis ou também pelo site que já citei acima, pelo valor de 10 golpes). E foi aí que a Chapada roubou meu coração.

Lençóis é uma cidade estruturada, histórica e bonita, mas não me senti tão segura para andar pelas ruas sozinha. Os homens assediam bastante, infelizmente. Já no Capão, que é uma vilinha, sem muita estrutura, andei sozinha à noite, em lugares sem iluminação (dica importante: levem lanterna!!), e não senti medo nenhum. O clima é agradável, as paisagens ao redor são lindas e as pessoas são simpáticas e te desejam bom dias e boa noites sinceros.

Pracinha do Vale do Capão

No Capão eu fui para acampar, mas só ia decidir onde quando chegasse lá. Como uma semana antes eu tinha descoberto que uma amiga estava morando no Capão, entrei em contato com ela para a gente se encontrar quando eu chegasse. Um dia antes de eu partir de Lençóis, ela veio me perguntar se eu gostaria de acampar na casa que ela estava hospedada. Bastava apenas que eu desse uma contribuição e claro que eu aceitei na hora.

A dona da casa, a Ninha, é uma pessoa muito receptiva. Não poderia ter acampado em lugar melhor. Como ela é nativa e guia também, conhece toda a Chapada. Fizemos um passeio de bicicleta (um total de 12km ida e volta) até o Rio Cruzinha, por uma estrada de terra, cheia de ladeirinhas. Quase morri de exaustão e Ninha disse que nem aqueceu HAHAHAHA. Mas claro que o passeio (que foi free, btw) valeu super a pena.

No outro dia, nem minha amiga nem Ninha podiam me acompanhar e então entrei em contato com uma guia que eu tinha descoberto o whatsapp, após minhas andanças pela vila. Ia ter passeio pra Cachoeira da Conceição dos Gatos, por 35 golpes, e fechei com ela. O acesso até à cachoeira é uma trilha de cinco minutos, que você precisa pagar uns 4/5 reais, pois ela está dentro da propriedade de Seu Zezão (uma figura!). O nome da guia é Fátima e ela só trabalha com mulheres. Este é o contato dela: (75) 9927-7206. Recomendo!

Cachoeira da Conceição dos Gatos

No meu último dia na Vila, tive a sorte de conhecer o Circo do Capão, onde Ninha é professora e minha amiga Amanda está desenvolvendo um projeto maravilhoso chamado Movimento Arte Acorda. Passei a tarde com um monte de mulher maravilhosa e fiz a oficina do projeto. Foi uma maravilha também conhecer este “outro lado” da Chapada e as pessoas que moram nela. Fui embora sentido muitas saudades desse lugar mágico e lindo.

Oficina do Movimento Arte Acorda

Minha última parada, antes de voltar para minha cidade, seria Salvador, mas assim como coisas mágicas acontecem quando viajamos, imprevistos também. O Vale do Capão é distrito de Palmeiras, então os ônibus levam você até lá e é preciso pegar uma van para chegar na vila e vice-versa. Só que há poucos horários de vans e meu horário de saída de Palmeiras era muito cedo. Assim, não tinha van que pudesse me levar. Então, a solução era dormir em Palmeiras para conseguir pegar meu bus para SSA.

Como já estava com pouca grana e mais uma hospedagem não estava nos meus planos, eu decidi pedir couch em um grupo só pra minas que participo no Facebook. Meu pedido foi atendido por Lílian, filha de Dona Cláudia, dizendo que a mãe dela me receberia. Fui tratada como uma filha, gente! Dona Cláudia não só me recebeu, mas me buscou na rodoviária, preparou meu jantar, meu café da manhã, me levou para a rodoviária e me disse que poderia voltar quando quisesse. Como sempre gosto de dizer: Viaje sozinha e coisas mágicas acontecem!

Em Salvador, minha última parada, fiquei na casa de um amigo e no outro dia voltei para minha cidade. Eu já conhecia Salvador. Então, a gente só deu rolê no bairro mesmo e depois foi jantar. Mas em SSA tive ainda a sorte de conhecer um senhorzinho gente boa, que trabalha como alternativo. Ele me levou da rodoviária até a casa do meu amigo e também queria combinar a minha ida para o aeroporto com ele.

Quando eu disse que não tinha o valor que ele estava cobrando, ele me falou pra ir de Uber! Pode uma lindeza dessas? Desci do carro com ele agradecendo por eu ter topado ir com ele, pois havia o ajudado muito (segundo ele), e me dizendo que eu era maravilhosa!!! HAHAHAHAHA Eu respondi que ele também era e nos despedimos. Segui o conselho e no outro dia fui de Uber para o aeroporto. Me despedi da Bahia conversando com um português gente boníssima que há pouco tinha ingressado na carreira de motorista. Tentativa de superar a crise, segundo ele. Me desejou boa viagem e eu o desejei boa sorte.

Depois dessa viagem inventei um ditado que diz mais ou menos assim: Viaje sozinha e sozinha não ficarás!

 

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Fabiana Araújo
Escritora e viajante apaixonada. Feminista, adora incentivar outras mulheres a viajarem sozinhas 🙂

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