Primeiras impressões de uma brasileira no Canadá [Parte II – cidade de Quebec]

Imagem: Natasha de Pina / arquivo pessoal

Cheguei na cidade de Quebec esperando que fosse encontrar uma cidadezinha tipo cenário do conto “A Bela e a Fera”. Casinhas de tijolos bem vermelhos, pessoas fofas andando pelas ruas de paralelepípedo, tamancos nos pés, vestidos longos. Isso porque cada pessoa que eu conhecia e falava que ia para Quebec dizia que não valia a pena ficar mais que duas horas lá, que a cidade era muito pequena, que dava para conhecer tudo em poucos minutos.

– “Ah, Quebec não tem nada a oferecer.”

– “Não fica esse tempo todo lá, não.”

– “No máximo, um dia em Quebec.”

 

Ainda bem que não acreditei em ninguém. Quebec é grande e tem muito a oferecer. Pode não ser cenário de conto de fadas.. Bem, mais ou menos… De colonização francesa, a cidade de Quebec tem sua parte antiga toda murada. Os Québécois se orgulham de dizer que é a “maior cidade murada desde o norte do México”, seja lá o que isso realmente signifique. É uma grande área calçada por paralelepípedos (e asfalto) dividida em Cidade Alta e Cidade Baixa.

Ali é o centro do turismo: restaurantes caros e bons, hotéis de luxo, o famoso Castelo Frontenac, o funicular (maneiríssimo! Super veloz!). Tudo isso fica ali na parte velha da cidade. Tudo um charme. A muralha tem aquele ar francês maravilhoso, as pessoas falando com aquele sotaque nasalado! Uma perdição. Nada como parar em uma das créperies e se deliciar com os mais variados sabores: muito queijo, muita carne! Tudo gourmetizado, claro. Mas tudo muito delicioso e bonito. Tudo muito bonitinho.

 Na Cidade Velha, me diverti assistindo filmes do Festival de Cinema de Quebec de graça na praça. Assisti as apresentações de arte de rua perto do Castelo Frontenac e me deixei flanar por suas ruelas e cantos sem me preocupar com a hora ou mesmo com meu destino. Em cada esquina, há um artista de rua tocando e cantando. Ouvi Chico Buarque em uma das minhas andanças! Não tem como não se perder na vibe da cidade.

Quebec: uma cidade encantadora e segura

Impressionou-me a sensação de segurança nas ruas. Estive sempre sozinha e em nenhum momento me senti ameaçada. Sendo mulher, me senti segura em todos os momentos, mesmo tarde da noite, quando voltava por volta de 23h, até meia-noite às vezes, sozinha para o hostel.

Dia desses, a fim de explorar mais, entrei no Promenade des Gouverneurs, por volta de 18h (em Quebec, o sol se punha por volta de 19:30). O Promenade é uma espécie de passarela toda circundada por mato. O caminho é lindo, todo arborizado, todo cercado. É longo, longuíssimo e dá no parque dos Champs-de-Bataille.

Imagem: Natasha de Pina / arquivo pessoal

 Entrei no Promenade quando ainda estava claro. No entanto, foi ficando escuro quando eu lá estava sozinha e caminhante. Como eu me senti? Como uma pessoa livre que passeava. Não senti medo, não me senti ameaçada. Só aproveitei a liberdade de passear namorando a natureza. E ainda terminei em um dos parques mais bonitos para se observar a cidade, fora dos muros, à noite.

 E aí volto ao meu ponto inicial: a Cidade Velha de Quebec é encantadora demais. Mas Quebec é mais,  é muito mais que somente sua parte antiga. Quem diz que uma visita a Quebec dura somente duas horas ou meio dia, não entendeu nada.

A cidade fora dos muros tem uma vida muito interessante. Pessoas descoladas transitam pelas ruas, jovens das mais diversas tribos se amontoam nos inúmeros bares de todos os tipos para todos os gostos. Durante o dia, não tem como não se encantar com enormes murais de grafite espalhados pelo centro. A noite fervilha.

Lla Chute de Montmorency e Tadoussac

Sem falar que em apenas 30 minutos de ônibus do centro da cidade pode-se visitar uma das quedas mais lindas: la Chute de Montmorency, 30 metros mais alta que as Cataratas do Niágara. A catarata fica localizada dentro do parque de Montmorency. O local  é bem amplo, possui várias mesas de piquenique e muito espaço para se praticar esporte. Por seu desenho, percebe-se claramente que suas trilhas são transformadas em pista de esqui no inverno. A própria natureza ajuda: no inverno, a própria queda congela e é usada para esquiar.

Imagem: Natasha de Pina / arquivo pessoal

No verão, com a cachoeira a todo vapor, conseguimos sentir todo o poder da natureza. Há uma ponte que permite que se atravesse o início da queda por cima dela. A história da ponte é bem ruim. Quando ela foi inaugurada, uma família inteira morreu com a queda da estrutura. Depois do desastre, refizeram todos os cálculos, reconstruíram tudo e a ponte se tornou uma das mais seguras do Canadá. Além da ponte, há uma escada enorme que permite que se chegue à base da cachu.

Fora isso, ainda tem Tadoussac, que não é bem a cidade de Quebec, mas que fica a apenas 3 horas de carro. Tadoussac é onde se pode fazer observação de baleia. Dependendo de onde estiver, e dá época, claro, as baleias podem ser vistas até mesmo da terra, sem ter que ir ao mar – e isso vale também para Quebec.

Dá para perceber que há muito que se explorar na amistosa cidade de Quebec. Quem já foi e fez visita corrida, só digo que perdeu uma boa oportunidade de viver momentos maravilhosos. Quem não foi ainda e tiver interesse, não dê mole e delicie-se com os prazeres de Quebec.

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Natasha de Pina
Carioca curiosa, minha paixão pelas letras veio da impossibilidade de se conhecer o mundo todo em somente uma vida. Se não posso ver tudo fisicamente, que o faça pelos livros também. Minha vida é escrever e viajar. Não necessariamente nessa ordem.

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