Brasileira lançará documentário sobre mochilão na América do Sul

Com apenas sua mochila nas costas, sua câmera nas mãos e um ideal, Tuane Alvarenga, 27 anos, filmmaker e blogueira, decidiu embarcar em um mochilão pela América do Sul contanto com a ajuda das pessoas que encontra pelo caminho e desenvolvendo trabalhos voluntários por onde passa. O resultado desta jornada será um documentário que a brasileira pretende lançar no próximo ano.

O objetivo do doc é mostrar que ainda existem muitas pessoas boas no mundo e dispostas a ajudar umas às outras sem nada em troca. “…A ideia surgiu para registrar e mostrar às outras pessoas que o mundo não está tão perdido como se vende. É uma tentativa de parar um pouco de alimentar e causar tanto com a desgraça e valorizar também o que tem de bom. I believe in good people!”, afirmou a mochileira.

O M pelo Mundo entrevistou a viajante que contou um pouco mais sobre a ideia do documentário, sobre suas experiências de couchsurfing, como é viajar sozinha sendo mulher e muito mais. O resultado dessa conversa você pode conferir logo abaixo!

O documentário

M pelo Mundo – Como surgiu a ideia para o documentário?
Tuane Alvarenga – Foi a soma de algumas coisas. Eu trabalhei quatro anos e meio em uma ONG e viajava bastante. Isso deixou em mim um lado mais humanitário, de doar e ajudar sem procurar algo em troca, e também a paixão por viajar e conhecer pessoas de diferentes culturas.

Em seguida, morei três anos e meio em Buenos Aires onde estudei Direção de Cinema. Lá, obviamente, tive a técnica, conhecimento e também uma vontade grande de voltar a viajar por mais tempo, pois tive que morar por todo este tempo em um mesmo lugar. Esses foram os primeiros impulsos para esta viagem e o tema principal do documentário – que é provar que ainda existe gente boa no mundo. Nesta caminhada toda que já fiz, conheci pessoas muito boas, que me amaram e me ajudaram em troca de “nada”.

Quando penso nas minhas viagens sinto mais saudade das pessoas que conheci que do lugar, pontos turísticos. Enfim, respondendo a pergunta, a ideia surgiu para registrar e mostrar às outras pessoas que o mundo não está tão perdido como se vende. É uma tentativa de parar um pouco de alimentar e causar tanto com a desgraça e valorizar também o que tem de bom. I believe in good people!

M pelo Mundo – Quando deverá ser lançado? Estará disponível no Youtube?
Tuane Alvarenga – No fim de 2017. Isso se eu terminar de viajar até metade de 2017. Veremos. Sim, estará no meu canal Tuane Alvarenga Viajamente. Isso se o Netflix não comprar antes, brincadeira com fundinho de desejo, risos.

M pelo Mundo – Quais destinos você ainda pretendem passar durante a viagem?
Tuane Alvarenga –  A ideia é fazer toda América do Sul. Já fiz sul do Chile, e da Argentina e Uruguai. Pretendo fazer norte da Argentina, Chile e todos os outros países que ainda faltam. Há pessoas me escrevendo de Costa Rica e do México. Se eu chegar na Colômbia e a grana estiver fluindo subo até o México.

M pelo Mundo – Por que a escolha da América do Sul para o mochilão?
Tuane Alvarenga –  Porque temos vizinhos muito ricos em cultura, natureza, gente muito alegre e carinhosa. Sinto que tenho que valorizar e investir tempo aqui primeiro para depois conhecer o resto do mundo. Faço parte disso, sou latino-americana e quero conhecer mais do meu povo, do que eu sou, temos histórias parecidas de colonização, exploração e luta. “Soy americalatina un pueblo sin pierna pero que camina”, como diz Calle 13 em sua música Latinoamerica.

M pelo Mundo – Por que você decidiu fazer trabalhos voluntários durante a viagem?
Tuane Alvarenga – Porque foi a maneira que encontrei para agradecer um pouco tudo o que venho recebendo. Não posso pagar a cada pessoa que me ajuda, mas posso ajudar outras pessoas com meus conhecimentos audiovisuais ou ajudando a limpar, cozinhar, ouvir, etc. É uma forma de gratidão.

M pelo Mundo –  É difícil viajar tendo que conseguir ajuda de outras pessoas?
Tuane Alvarenga – Não. O que está acontecendo é eu ter que rejeitar ajuda ou hospedagem para poder seguir viagem ou ficaria mais tempo em um mesmo país.

M pelo Mundo – Quais são as principais dificuldades da viagem?
Tuane Alvarenga –
Eu mesma. Justamente como faço a viagem com a ajuda de pessoas que conheço pelo caminho que me dão hospedagem, trabalho, comida, etc. Tenho que estar atenta aos e-mails que recebo, em mandar mensagens por couchsurfing, em escrever em grupos divulgando e pedindo ajuda pra viagem, editar os vídeos que fiz para as ONGs, vídeos de trabalhos, vídeos dos vlogs, conversar com as pessoas onde estou, viver a viagem (isso não troco por nada). É tudo ao mesmo tempo e as vezes vejo que minha desorganização de hoje pode ser o perrengue de amanhã. Além disso, carregar a mochila. Graças a Deus, até agora ainda não tive que andar muito com ela, mas é um problema só de pensar nela já dá uma preguiça. Dizer tchau. Todo lugar que chego quero ficar.

 Mochilão sozinha

M pelo Mundo – Você indicaria couchsurfing para mulheres que nunca viajaram por meio dessa modalidade? É seguro?
Tuane Alvarenga – Já usei bastante couchsurfing nessa viagem, funciona super bem. Só tive ótimas experiências. É seguro se você usa seu senso das coisas, isso pra tudo na vida e mais ainda viajando sozinha. Por exemplo, eu vou evitar de ir para um couch de um cara que mora sozinho na roça no meio do nada.

A ideia é acreditar nas pessoas não pagar pra ver, risos. Geralmente fico na casa de casais, casa de família, mulheres e também já estive na casa de homens em couchsurfing e foi tudo perfeito. No entanto, vale a pena ter um cuidado, ler bem as referências, essas coisas básicas. Até agora couch tem meu 100% de aprovação.

M pelo Mundo – Como é para uma mulher fazer um mochilão sozinha?
Tuane Alvarenga –  É lindo. Além do óbvio de ter que escutar todo mundo falando o tempo todo que é perigoso, que vão me roubar, me estuprar, roubar meus rins. Tirando isso, que acho que pode ser prevenida com o bom e velho senso das coisas, a parte linda é que todos querem te ajudar. Um casal que me recebeu em Montevidéu, no Uruguai, por exemplo, me disse que queria que eu ficasse em sua casa porque assim eles saberiam que eu iria estar protegida – e só me conheciam pelos vlogs. Isso é bonito de ser mulher viajando sozinha, as pessoas querem me proteger, me engordar, querem que eu ligue avisando quando cheguei no próximo destino, recebo pequenos carinhos o tempo todo.

M pelo Mundo – Que tipo de segurança é necessário ter durante a viagem?
Tuane Alvarenga –  Além do bom e velho senso, que se resume em ouvir seu coração, seu instinto. Para mim a maior segurança que qualquer pessoa pode ter quando esta viajando é não perder o controle em nenhum momento, não beber demais, não fumar demais, não se drogar demais, nada demais. A dica é não se desarmar e sim curtir ao máximo tudo, mas sem perder o controle. Isso você faz quando estiver com suas amigas de infância, com sua família, com gente que te conhece e te ama e não iriam jamais aproveitar de você ou deixar você passando mal sem cuidados. Além do básico, leve um cadeado, esconda o dinheiro, cuide dos seus documentos.

 

 

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Sou jornalista de formação e conto com passagens por diversos veículos de imprensa. No entanto, foi como repórter de turismo que encontrei minha paixão. Sou feminista e em 2015 decidi juntar jornalismo, viagem e empoderamento feminino para criar o portal M pelo Mundo.

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