As coisas que deixamos de fazer em uma viagem simplesmente por sermos mulheres

Imagem: Pexels

Esta semana estive escolhendo o destino das minhas próximas férias. O que queria era uma experiência única, era me deparar com culturas diferentes, línguas diferentes. Queria ver um novo pensar sobre o mundo. Diante de tantas possibilidades, consegui reduzir minhas opções a três lugares: Marrocos, Guatemala e Nicarágua. Muito antes de considerar a grana que iria gastar, minha primeira grande preocupação era se os lugares eram tranquilos para uma mulher viajando sozinha. 

Visitei sites de viagem, entrei em redes sociais de viajantes, conversei com pessoas, conhecidas e desconhecidas. Fiz de tudo para juntar o maior número de informação que poderia sobre esses países. E o que mais me surpreendeu foi que há poucos, pouquíssimos relatos e textos que falem claramente como é aquele lugar para mulheres que viajam sozinhas.

Mulheres que viajam sozinhas: nós existimos!

Achei engraçado isso. É como se esse nicho não existisse. É como se mulheres viajando sozinhas não existissem. Para as mulheres viajantes que perguntei sobre ir sozinha ao Marrocos, por exemplo, uma me falou que morava com a família e não disse mais nada e outra falou que estava com amigos e me listou alguns lugares para conhecer.

Quando perguntei sobre a Nicarágua para um amigo, tive dificuldade em fazê-lo entender o que queria dizer. E olha que usei a palavra “estupro” umas três vezes. No site do Lonely Planet, sobre a Guatemala, há uma seção falando de risco de roubo a turistas. Mas nada referente a mulheres sozinhas. Aquele relato amigo, aquela impressão de quem já passou por aquela situação, não achei em lugar algum.

As coisas que deixamos de fazer por sermos mulheres

No final das contas, decidi mudar completamente de destino e ir pelo conhecido. Não será dessa vez que pisarei em um desses misteriosos destinos. Mas essa decisão dói. Abro mão de experiências únicas com o coração apertado. Por que isso também nos é tirado?

Meus amigos, homens e cis nunca deixariam de ir para um lugar por não se sentirem seguros (acredito que países em guerra seriam exceções, óbvio). E, aí, pensei (de novo) em quantas coisas deixamos de fazer por sermos mulheres. E olha que estou falando aqui de um ponto de vista bastante privilegiado. Estou falando de uma viagem internacional, coisa que, sabemos, é para poucos.

Uma das pessoas com quem conversei me perguntou se eu viajaria de ônibus pelo interior da Bahia ou do Amazonas e isso me fez pensar mais ainda. E aquelas mulheres que não têm opção? Que não podem escolher os caminhos que tomar? Pois é…

Como solução só vejo mesmo o feminismo e o empoderamento feminino. Muito feminismo e muita união para que tornemos esse mundo mais acessível às mulheres. Quanto a mim, nos meus textos sobre minhas viagens, a partir de agora haverá sempre uma parte falando diretamente para as mulheres que viagem sozinha. Tudo bem claro e direto.

 

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Natasha de Pina
Carioca curiosa, minha paixão pelas letras veio da impossibilidade de se conhecer o mundo todo em somente uma vida. Se não posso ver tudo fisicamente, que o faça pelos livros também. Minha vida é escrever e viajar. Não necessariamente nessa ordem.

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